Lisboa, 03 Ago (Lusa) - Vinte e um alunos correm o risco de ficar sem aulas de português no próximo ano lectivo na Bélgica devido à falta de um professor para uma turma suplementar.
O emigrante português na Bélgica João Góis disse à Agência Lusa que devido ao aumento do número de alunos de português, a coordenação de ensino naquele país decidiu constituir uma turma suplementar com 21 alunos que frequentariam, no próximo ano lectivo, o curso de português numa escola de Bruxelas, à quarta-feira.
"Como na Bélgica existem professores com horário incompleto foi feita uma proposta ao Ministério da Educação (ME) para constituir uma turma suplementar com um desses professores, mas o ME recusou", disse o emigrante que vive na Bélgica há 16 anos e é candidato às próximas eleições do Conselho das Comunidades Portuguesas.
João Góis salientou que este ano houve uma acção de sensibilização junto dos pais para que inscrevessem os filhos nos cursos de português, os emigrantes responderam ao apelo e agora não há um professor para essa turma.
"Os alunos não terão direito a aulas por uma questão de redução de custos", lamentou, considerando que os filhos dos emigrantes "têm os mesmo direitos de frequentar e ter acesso ao ensino do português no estrangeiro" que os cidadãos que residem em Portugal.
João Góis já enviou cartas ao gabinete do primeiro-ministro português, José Sócrates, e à ministra da Educação, Maria de Lourdes Rodrigues, a explicar a situação.
Além da Bélgica, há também problemas com o ensino do português no estrangeiro na Alemanha e na Suíça.
Na Alemanha, cerca de 600 alunos portugueses vão ficar sem aulas de português no próximo ano lectivo por não terem sido abertas vagas para seis professores.
Também na Suíça, onde em alguns cantões as aulas começam a 20 de Agosto, as comissões de pais ainda não conhecem quais as salas de aulas disponíveis para os cursos de português e há professores por colocar, disse à Agência Lusa o conselheiro das comunidades portuguesas naquele país, Manuel Beja.
O conselheiro adiantou que, à semelhança do que acontece em anos anteriores, as aulas de português vão começar "algumas semanas depois do início do ano lectivo".
A Agência Lusa contactou o Ministério da Educação sobre a situação do ensino do português no estrangeiro, nomeadamente nestes três países, mas não obteve qualquer esclarecimento.
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