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SIRESP diz que esteve à altura e que "não houve interrupções"

Rui Oliveira / Global Imagens

O SIRESP respondeu ao pedido do Governo e garante que "não houve interrupção no funcionamento da rede em consequência do incêndio" de Pedrógão Grande.

No "relatório de desempenho da rede SIRESP (Sistema Integrado de Redes de Emergência e Segurança de Portugal) no incêndio de Pedrógão Grande" divulgado esta terça-feira à tarde no Portal do Governo a empresa admite que das 16 estações bases que cobriam a zona do fogo, cinco entraram em "modo local" porque os cabos de fibra ótica arderam.

Contudo, a SIRESP garante que, mesmo em modo local, as comunicações eram possíveis - isto porque utilizam a tecnologia TETRA, que permite que quando uma estação base perde a interligação com as restantes, os terminais próximos comuniquem entre si "em modo direto". Por isso, conclui a empresa, "a rede SIRESP funcionou de acordo com a arquitetura que foi desenhada".

No período crítico do incêndio, entre as 19 horas do dia 17 e as 9 horas do dia 18, foram processadas mais de 100 mil chamadas através de 1092 terminais e, em cinco dias de fogo, 3301 terminais processaram mais de um milhão e 100 mil chamadas, alega a empresa, acrescentando que estes números demonstram que o desempenho do SIRESP "correspondeu e esteve à altura da complexidade do teatro das operações, assegurando as comunicações e a interoperabilidade das forças de emergência e segurança".

A empresa - que tem estado sob polémica, com a própria Autoridade Nacional de Proteção Civil a apontar-lhe várias falhas - reconhece, contudo, que houve "situações de saturação na rede", ainda que não "significativas". E deixa um conjunto de recomendações ao Governo: avaliar a relação custo/benefício da instalação de transmissão redundante; reduzir o número de grupos de conversação nos teatros de operações, evitar chamadas privadas em situações de emergência; e haver maior disciplina nas comunicações.

Sobre as estações móveis, a SIRESP propõe que a sua gestão deixe de ser feita pelo Governo e passe a ser feita pela empresa. Isto porque, lê-se no documento, "o modelo atualmente em vigor não permite uma resposta rápida perante situações extremas". Atualmente, as duas estações estão sob a alçada do Ministério da Administração Interna, estando uma alocada à GNR e outra à PSP. A SIRESP recomenda que, antes do período dos fogos, uma seja colocada a Norte do país e outra a Sul, de maneira a facilitar o seu uso em "situações críticas". Além disso, a empresa sugere a compra de mais estações móveis para "assegurar a resolução de situações de contingência".

Rosa Ramos