Um instrutor de fitness está a ser julgado, no País de Gales, após ter sido acusado de matar uma bebé de 18 meses, duas semanas após a ter adotado em conjunto com o marido.
Mathew Scully-Hicks, que casou em Portugal, em 2012, com o companheiro Craig, começou a cuidar da bebé em setembro de 2015 e o processo de adoção foi finalizado a 12 de maio de 2016. Matthew tornou-se pai a tempo inteiro, ficando em casa para cuidar da criança, enquanto Craig mantinha o emprego como diretor de uma empresa.
Segundo a acusação, Elsie terá sido vítima de maus tratos durante meses por parte de Matthew Scully-Hicks, antes de ser agredida até à morte na casa dos pais adotivos, em Llandaff, Cardiff.
A 25 de maio de 2016, às 18.18 horas, o serviço de emergência de Gales recebeu uma chamada de urgência de Matthew Scully-Hicks. "Estava a deitar a minha filha e ela estava muito mole", relatou Matthew ao operador. Durante a chamada, disse ainda repetidamente "Oh, meu Deus" e "isto é horrível".
Quando chegaram ao local, os paramédicos e a polícia encontraram Elsie já em paragem cardíaca. O pai explicou a um paramédico que a criança "gritou como se estivesse a sofrer e depois caiu".
Já no hospital, o pai adotivo foi contraditório quando disse à polícia, aos médicos e ao marido que encontrou a filha no chão em frente à televisão, depois de voltar da cozinha, e pensou que a criança estivesse a dormir. Quando percebeu que a mesma não estava a respirar, começou a fazer exercícios de reanimação.
Durante a investigação, a polícia encontrou mensagens no iPad de Matthew que serviram como provas das alegadas agressões. Doze dias depois de adotar a menina, enviou algumas mensagens a um amigo: "Estou a viver um inferno com Elsie. As refeições e a hora de dormir são o meu pior pesadelo de sempre. Ela grita 10 minutos sem parar".
O arguido também enviou uma mensagem ao marido classificando Elsie de "psicopata" e uma outra descrevendo a menina como um "Satanás vestido de bebé".
O Ministério Público não tem dúvidas de que "os ferimentos que causaram a morte de Elsie lhe foram infligidos pelo pai, pouco antes de chamar os serviços de emergência."
"As suas ações foram o culminar de uma conduta de violência contra uma criança indefesa que deveria ter sido amada e protegida, mas que, em vez disso, foi atacada, abusada e acabou por morrer", diz a acusação.
A autópsia revelou ainda outras lesões anteriores que Elsie sofreu, nomeadamente, fraturas no crânio, costelas e pernas.
Elsie tinha sido retirada da guarda da mãe biológica, por esta ser toxicodependente, e adotada pelo casal aos 10 meses de idade.
Matthew Scully-Hicks nega o assassinato da criança. O julgamento continua e deverá durar cinco semanas.