Cabul, 19 Mar (Lusa) - O supremo comandante da NATO preocupou-se terça-feira com o impacto no Afeganistão do filme do parlamentar holandês Geert Wilders que, apesar de não ter ainda passado, provocou indignação entre os muçulmanos por criticar duramente o Corão.
"É um problema dos extremistas: eles querem usar isso para sua vantagem, seja ou não racional", disse o general norte-americano John Craddock, comandante supremo das operações da NATO.
Revelou que os comandantes aliados apelaram aos líderes afegãos para não responsabilizaram as tropas pelo filme.
A NATO está preocupada que o filme possa levar a ataques contra os soldados holandeses que estão integrados nas tropas aliadas (47.000 homens) em missão no Afeganistão. Os holandeses estão estacionados na instável província do Uruzgan.
"Seria uma infelicidade se soldados dessa nacionalidade fossem responsabilizados por algo com que não têm nada a ver", disse Craddock aos jornalistas durante uma visita às tropas no Afeganistão.
Wilders tem dito que pretende passar o filme de 15 minutos ainda este mês. Nele, critica o Corão que descreve como um livro "fascista", tendo chegado mesmo a pedir a sua proibição comparando-o com o Mein Kampf" de Adolfo Hitler.
No Cairo, o presidente egípcio, Hosni Mubarak, avisou terça-feira que os contínuos insultos ao profeta Maomé irão piorar a situação para todos, ao mesmo tempo que criticava os extremistas que usam estes insultos para justificar as suas acções.
"Com o aniversário do Profeta, as falsidades e insultos voltaram à superfície novamente, escondendo-se atrás da liberdade de expressão e da imprensa", disse Mubarak num comentário em directo na televisão pública mas sem dizer a quem se referia directamente.
Enquanto isto, representantes de Igrejas cristãs e de organizações muçulmanas revelaram terça-feira em Haia que vão iniciar uma digressão aos países muçulmanos para lhes manifestar os seus pontos de vista sobre o filme anti-Islão do deputado de extrema-direita.
O objectivo é "dar pessoalmente esclarecimentos a diferentes líderes religiosos muçulmanos e cristãos", escrevem numa declaração conjunta a Igreja protestante e as organizações muçulmanas nacionais CMO e CGI, apoiadas nisso pelo Conselho Ecuménico das Igrejas.
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