Manuel Alegre puxou o congresso para a "esquerda democrática" com um discurso empolgante e muito aplaudido onde alertou para "o risco de morte" de uma viragem à direita. "Não vale a pena inventar novos ADN". O ADN do PS "sempre foi servir o povo e melhorar as suas condições de vida. Foi isso que fez o Arnaut e é isso que temos de continuar a fazer", afirmou evocando o "pai do Serviço Nacional de Saúde".
As conquistas destes dois anos e meio não foram esquecidas pelo fundado do PS. "Sabemos governar melhor que a direita e sabemos fazer contas melhor que a direita. E por isso é que a palavra geringonça começou a ser traduzida e Mário Centeno foi eleito presidente do Eurogrupo", elogiou Manuel Alegre, descansando aqueles que dizem que o PS cedeu demasiado aos partidos à sua esquerda.
"O PS não está sequestrado por ninguém. Estaria se tivesse apoiado um governo de direita. Isso sim, seria uma traição ao nosso eleitorado", afirmou o histórico socialista. E se isso tivesse acontecido, o PS "estaria talvez a definhar e na situação dos partidos socialistas que estão em grandes dificuldades". E deixou um aviso ao partido: "se deixarem de representar os interesses do nosso eleitorado, abrem o caminho à direta". Portanto, o PS "deve manter uma política de convergência à esquerda", recomendou.
Manuel Alegre apelou ainda a um partido "ao serviço do interesse geral e não a interesses estranhos ao bem público", lembrando que "vivemos num tempo de grande incerteza e imprevisibilidade" com uma "contaminação da vida política pelo poder financeiro". "Para onde quer que a gente olhe vemos sinais sombrios e ameaças de guerra", alertou. A culpa é "da terceira via que foi um desastre para o socialismo e um desastre para a democracia". O Euro também não fica isento de responsabilidades pois "tem trazido mais divergência que convergência".
Por isso é que, acredita Alegre, a política de António Costa "é importante para Portugal, para a esquerda europeia" e para uma política que "não pode continuar dominada pelo neoliberalismo e por um poder financeiro que se sobrepõe à democracia e aos Estados". Porque, salienta o histórico socialista, "apesar dos constrangimentos é possível fazer diferente".