Cultura

Tribalistas já contam os minutos para a estreia nos palcos portugueses

Daniel Mattar/Global Imagens

A poucas semanas dos concertos em Lisboa e Porto, o JN falou com Marisa Monte e Arnaldo Antunes

Nem os quase oito mil quilómetros que separam o Rio de Janeiro do Porto são capazes de disfarçar o entusiasmo de Marisa Monte. A partir da luminosa metrópole, a artista confessa ao JN estar "a contar os minutos" para o início dos próximos concertos. Para assim poder reencontrar os colegas da banda, mas também para dar início à digressão europeia, com começo marcado para Portugal. No dia 21, sobem à Altice Arena e dois dias mais tarde atuam no Coliseu Porto Ageas.

Antes de 2018, nunca tinham tocado juntos em palco, enquanto Tribalistas. "Na primeira metade do ano fizemos dez shows inesquecíveis por todo o Brasil. Foi muito emocionante. Agora temos uma nova aventura: dez concertos em sete países, a começar logo por Portugal. Vai ser bom podermos falar português na Europa, para variar", diz-nos.

Também em linha, mas a partir de São Paulo, Arnaldo Antunes relembra "o grande amor do público português pela música brasileira". Uma afeição que, garante "é retribuída por nós". "Tenho tido a felicidade de colaborar com vários músicos portugueses, como a Carminho", adianta.

Num grupo onde cada membro é uma superestrela, a gestão dos egos pode parecer uma tarefa difícil. Agravada, ainda por cima, pela rotina e desgaste causados por semanas a fio de viagens, aeroportos e noites mal dormidas. Nada que atrapalhe o mítico ex-vocalista dos Titãs, para quem "a forte individualidade de cada um dá uma grande diversidade ao nosso som".

Mudança 15 anos depois

Quando, há década e meia, os Tribalistas conquistaram os tops de muitos países, à custa de temas irresistíveis como "Já sei namorar", o Brasil vivia um clima de otimismo geral. Um cenário oposto ao atual, marcado por fricções e radicalismos.

O anúncio do regresso ao ativo do supergrupo, primeiro com um disco e depois com uma digressão, foi, por isso, uma das poucas boas notícias que milhões de brasileiros receberam nos últimos tempos. Marisa Monte concorda que "a imagem de união e respeito" que passam pode ser "um exemplo" num país dividido. "A política é diálogo e a música também. As eleições que estamos a viver são complicadas porque há muitos extremos. Gostávamos que houvesse mais equilíbrio", assevera.

Não foi apenas no plano político que o Mundo mudou na derradeira década e meia. O digital veio virar do avesso a indústria musical e o sucesso passou a medir-se menos por discos vendidos do que por anglicismos como "streamings" e "views". Para os dois membros dos Tribalistas, as mudanças provocam "sensações mistas", embora prefiram destacar "a maior democraticidade no acesso à música". "Bem vistas as coisas", reflete Antunes, "o essencial ainda se mantém: o concerto é a fonte original da música, a energia vital que alimenta a nossa alma".

Sérgio Almeida