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Arguidos de rede pedófila vão todos a julgamento

Arguidos de rede pedófila vão todos a julgamento

Os dezoito arguidos do processo de abuso sexual de menores da Lagoa, Açores, vão a julgamento. A decisão foi proferida, ontem, por Sónia Teixeira, juíza de instrução no Tribunal de Ponta Delgada, que decidiu desagravar as medidas de coacção de dois arguidos. Os suspeitos viram também reduzidos o número de crimes, de 156 para 148.

Segundo fonte judicial, o médico Luís Arruda, que estava em prisão domiciliária, ficou apenas sujeito a apresentações periódicas às autoridades, além de lhe ter sido aplicada uma caução de 25 mil euros. Está também impedido de sair da ilha. A outra medida de coacção alterada foi a de José Luís Benzeiro, ontem libertado. A juíza entendeu que era suficiente a aplicação da prisão domiliária.

Porta fechada

A leitura da decisão instrutória decorreu à porta fechada, mas, segundo a agência Lusa, a redução do número de crimes abrangeu os arguidos Luís Arruda, José Luís Benzeiro, José Augusto Pavão ("Farfalha") e Mário Jorge Martins.

Desconhece-se, no entanto, de quantos crimes cada um dos arguidos continua acusado, porque o Tribunal nunca o especificou, informando apenas que iam desde abuso sexual de menores, actos sexuais e homossexuais com adolescentes e incentivo à prostituição (lenocínio).

Sabe-se também que o médico Luís Arruda, que desempenhou o cargo de delegado de Saúde da Lagoa, não foi pronunciado por dois crimes de abuso sexual de crianças, enquanto José Luís Benzeiro não será julgado por tráfico de estupefacientes.

José Augusto Pavão, conhecido por "Farfalha" e que foi o primeiro a ser detido no âmbito das investigações da PJ, não foi pronunciado por dois crimes de abuso sexual de menores e um de detenção de substâncias estupefacientes. Mário Jorge Martins também não foi pronunciado por dois crimes de abuso sexual de crianças.

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Refira-se, ainda, que, com as alterações das medidas de coacção ontem decididas, apenas cinco homens continuam presos preventivamente no estabelecimento prisional de Ponta Delgada.

O caso remonta ao final de 2003, altura em foi detido pela PJ um pintor de construção civil conhecido por "Farfalha", que terá alegadamente utilizado uma garagem sua no concelho da Lagoa, a poucos quilómetros de Ponta Delgada, para práticas pedófilas.

Já nos primeiros meses deste ano, a PJ deteve mais 17 homens na ilha de S. Miguel. O caso envolve cerca de duas dezenas de alegadas vítimas.

Cronologia14/11/2003

José Pavão(Farfalha) foi detido pela PJ, acusado de liderar uma rede pedófila na Ilha do Pico. Os menores seriam abusados numa garagem que lhe pertenceria

08/12/2003

O secretário regional da Agricultura, Ricardo Rodrigues, demitiu-se, depois de uma onda de boatos que associavam o seu nome ao escândalo de pedofilia

09/01/2004

Foram presos 12 arguidos, por envolvimento na rede, entre eles o médico Luís Arruda, que se demitira dias antes do centro de saúde

19/01/2004

Os menores foram ouvidos para memória futura e já não serão interrogados em julgamento

14/03/2004

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12/05/2004

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