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Contar alegorias no espírito olímpico

Contar alegorias no espírito olímpico

Será a cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos o maior espectáculo do Mundo? Se não o é ainda, os criadores gregos, mestres nas artes e da encenação, provaram que, de facto, é mesmo algo de inesquecível. Assim foi a noite de ontem no belíssimo Estádio Olímpico, obra ímpar, desenhada pelo arquitecto espanhol Santiago Calatrava.
Memorável. É o mínimo que pode dizer-se das três horas que passámos no Estádio Olímpico. Do princípio ao fim. Desde que os anéis olímpicos, ao som dos tambores gregos, nasceram em fogo de um mar qualquer no meio do estádio, até que o velejador Nikos Kaklamanakis, medalha de ouro pela Grécia, nos Jogos de Atlanta 96, acendeu a chama olímpica.
Sempre surpreendente nesta ocasião, o acto do acender da chama foi o toque final de um festival de tecnologia e bom gosto. Como um charuto gigantesco o facho moveu-se, fazendo baixar um ecrã gigante, para ficar horizontal, de forma a que Kaklamanakis o pudesse acender.
Um momento mágico, que levou à loucura os gregos, orgulhosos de, finalmente, verem começar os Jogos Olímpicos que tanto custaram a organizar. Se há povo que dá valor aos símbolos e às alegorias, são os gregos. A história contada ontem no Estádio Olímpico viajou na mitologia e no tempo. O ídolo de Cíclades, a estátua de Kouros, a estátua clássica e as formas geométricas de Pitágoras voaram no meio do estádio, nascendo dos símbolos matemáticos do mesmo Pitágoras, de Demócrito e de Euclides. Depois veio a celebração de Eros, a encenação do livro da vida (um espectáculo cénico fora de série) e, finalmente, o nascimento da oliveira que deu origem a Atenas.
Três mil anos depois, a oliveira saiu temporariamente da Acrópole para o Estádio Olímpico, onde deu sombra aos discursos de abertura de Gianna Angelopoulos, a presidente do comité organizador dos Jogos, e Jacques Rogge, o presidente do Comité Olímpico.
Na ocasião, o presidente grego declarou abertos os Jogos da 28.ª Olimpíada. Mesmo o desfile das delegações foi diferente do habitual. O alfabeto grego fez entrar delegações fora da ordem habitual. A de Portugal, a 155.ª , com o judoca Nuno Delgado a transportar a bandeira, foi das mais saudadas. E os portugueses corresponderam, aplaudindo os gregos.
O desfile dos 201 países participantes foi marcado pelo ritmo do DJ holandês Teisto, com um house-techno-transe, uma ideia genial para fazer acelerar tanta gente. O fogo-de-artifício final tornou ainda mais belo o Estádio Olímpico, na noite em que a Grécia provou a razão de ser o berço da civilação ocidental.

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