minho

Dúvidas persistem sobre Ceide ou Seide S. Miguel

Dúvidas persistem sobre Ceide ou Seide S. Miguel

Adúvida não é de hoje, e até já foi resolvida duas vezes, mas com a abertura da Variante Nascente de Famalicão veio mais uma vez à baila. Seide ou Ceide? Esta é a questão que muitos colocam quando deparam com as diversas placas indicativas da freguesia espalhadas pelo concelho, auto-estrada e variante.

A grafia utilizada para escrever o nome da terra onde viveu Camilo Castelo Branco é discutida por muitos, e confunde famalicenses e forasteiros. Quem circula pela Variante Nascente depara com placas indicativas onde consta Seide; contudo, se circular pela auto-estrada número 7 (A7) poderá ficar confuso ao deparar com placas informativas onde se lê Ceide.

Já em direcção à freguesia, as placas (já antigas) indicam o nome da freguesia com cê, contudo se circular pela EN 206, pode verificar que aí figura Seide - Casa de Camilo. E, se seguir esta placa, já na localidade vai encontrar a placa indicativa da extensão de saúde escrita com cê, e logo ali ao lado uma inscrição na igreja, datada de 1879, onde o vocábulo se escreve com esse.

Perante as diversas versões espalhadas pelas várias estradas do concelho, a confusão é grande e teima em persistir.

Em 1980, a Câmara Municipal deliberou, por proposta do então vereador da Cultura, alterar a ortografia da palavra Seide para Ceide, alegando que "em várias fontes documentais antigas, nomeadamente ao longo da primeira dinastia, nas "Inquirições" de D. Afonso II e em "Diploma et Chartae dos secs XI e XII", verificam-se os étimos de Ceidi ou Ceide". Na proposta, o vereador fundamenta ainda que, "na opinião douta do grande filólogo de José Leite Vasconcelos, "não pode pois haver prova mais cabal de que deve escrever-se Ceide em vez do usual Seide".

Contudo, Manuel Amaro, presidente da Junta de Freguesia, acha que a palavra deve escrever-se com esse, justificando que sempre foi dessa maneira que se escreveu.

O autarca aponta mesmo os bilhetes de identidade, carimbos da Junta e a inscrição da igreja, datada de 1879, que "toda a vida" foram com esse. Para acabar "com confusões", em 2000, Manuel Amaro levou o problema à Assembleia da República, que publicou em Diário da República o vocábulo com esse, tornando assim pública a ordenação heráldica do brasão, bandeira e selo, "tendo em conta o parecer da Comissão de Heráldica da Associação dos Arqueólogos Portugueses".

Para complicar ainda mais, o padre Avelino Jesus Costa, em "O Bispo D. Pedro e a Consagração da Arquidiocese de Braga" defende a grafia cê, alegando que "os documentos não autorizam a grafia Seide", sendo que o "Dicionário Corográfico de Portugal" refere a mesma grafia.

Por outro lado, no "Dicionário Chorografhic de Portugal Continental e Insular", de Américo Costa, datado de 1948, lê-se "Seide (S. Miguel)" e "Seide (S. Paio), acontecendo o mesmo com a obra "Corografia Portuguesa e descripçam topografiac", de 1968.

Um outro adepto da grafia com esse foi Camilo Castelo Branco, que escrevia Seide. Segundo Aníbal Pinto Castro, director do Centro de Estudos Camilianos, o novelista terá escrito com esse; contudo, frisa que apesar desta ser a grafia que prevalece na sua obra, "não garante" que Camilo tenha também escrito "uma ou outra vez com cê".

Aliás, o responsável diz mesmo que "nas primeiras edições gráficas de Camilo pode verificar-se a mesma palavra escrita com duas ou três maneiras diferentes".

Contudo, no Centro de Estudos escreve-se, agora, Seide, uma vez que assim foi "determinado pela Assembleia da República", não vendo o responsável "qualquer impedimento para que assim não possa ser".

"Etimologicamente, e de acordo com documentos reunidos pelo padre Avelino Costa, a grafia seria cê, mas o uso também consagra a grafia", aponta Aníbal Pinto Castro, salientando que "a grafia etimológica passa então a ser uma grafia artificial". Pois "o uso também pode consagrar", conclui o catedrático, sem antes adiantar que "a fixação gráfica está na língua portuguesa".

Em resposta à solicitação do JN, o Instituto das Estradas de Portugal (IEP) informou que "após contactos estabelecidos com a Junta de Freguesia de Seide (S. Miguel), para esclarecer a forma ortográfica correcta do nome da freguesia, foi facultada cópia do Diário da República - III Série n.º 104 de 05/05/2000, onde se encontra publicado o brasão, a bandeira e selo da mesma". Pela forma como foi escrito -Seide.

Facto é que a confusão se mantém, e a dúvida continua a ser: Seide ou Ceide?

Imobusiness