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"Lido mal com tanta exposição pública"

"Lido mal com tanta exposição pública"

Criadora dos "Queijinhos Frescos"

Há sempre uma excepção que comprova a regra e Ana Faria é, aos olhos moldados pela actualidade, essa excepção. A regra manda que muitos procurem a fama a todo custo, nem que seja através de um "reality-show"; a excepção "obriga" quem atinge a fama por via de um trabalho válido a virar as atenções para outro lado, que não o da sua actividade ou da sua pessoa. A descrição assenta que nem uma luva em Ana Faria.

Famosa sobretudo ao longo da década de 1980 - pelo trabalho musical ligado às crianças, com o grupo "Queijinhos Frescos", entre outros projectos, como "Brincando aos Clássicos" -, Ana Faria desligou progressivamente as luzes da ribalta. "Não me assusta a fama, mas não gosto de ser o centro de tantas atenções. Lido mal com tanta exposição", explicou ao JN.

Aos 56 anos, dedica-se à pintura e aos retratos, expondo ocasionalmente as suas telas na livraria Livrarte, em Lisboa. É um género artístico que a acompanha desde sempre, "mesmo antes da música". Mas, há mais de 20 anos, vários projectores se viraram para iluminar a mulher que decidiu "desafiar" as almas sensíveis dos melómanos puristas.

A ideia era simples, mas inovadora em termos pedagógicos: adaptar letras portuguesas a músicas ditas clássicas, para cativar a atenção dos pequenos ouvintes. A "brincadeira" começou em casa. "Trauteava músicas eruditas com letras minhas em português e isso despertou a atenção dos meus filhos e dos seus amigos. Todos queriam ouvir-me cantar. Depois, dava-lhes a ouvir o original", recorda Ana Faria. Mozart, Chopin, Bizet, Racine e Verdi, por exemplo, foram assim apresentados a milhares de infantes. "Ainda hoje me dizem que começaram a ouvir música comigo".

Como se não bastasse esta "revolução" musical, em meados dos anos 80 surgiram, pela mão de Ana Faria, os "Queijinhos Frescos", com dois álbuns. A música ligeira infantil em Portugal nunca mais foi a mesma.

Ana Faria

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