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Santana desafia Sócrates para um encontro

Santana desafia Sócrates para um encontro

Antes do primeiro confronto parlamentar entre Santana Lopes e o novo líder do PS, a Comissão Política Nacional do PSD aprovou, ontem à noite, um desafio a José Sócrates: A marcação para já de uma encontro entre socialistas e sociais-democratas para, segundo o secretário-geral do PSD, Miguel Relvas, "aprofundar a busca de consensos, cuja concretização tem vindo a ser proposta insistentemente pelo primeiro-ministro".

As três principais áreas de discussão propostas pelo PSD são a criação de uma entidade reguladora para a Comunciação Social, a reforma da Justiça e do sistema político.

Santana chega, assim, hoje ao Parlamento com um novo trunfo argumentativo para neutralizar os previsíveis ataques do novo líder do PS. De acordo com informações recolhidas pelo JN, o primeiro-ministro vai evitar aprofundar a discussão sobre o Orçamento de Estado e procurará passar por cima do caso Marcelo/TVI.

O Governo crê que as atenções estarão centradas no "duelo" Sócrates-Santana. Por isso, o chefe do Governo preparou-se para os ataques do líder socialista, deixando para segundo plano o PCP "que está sem líder" e o BE, do qual espera "o habitual".

Santana "fará um discurso de coragem e pelo optimismo", assegurou um dos assessores, "na linha do que disse ao país" na segunda-feira. Ou seja, vai repetir a revisão da lei das rendas, o fim das SCUT, o fim do serviço militar obrigatório, o pagamento de pensões dos ex-combatentes, a substituição das direcções da PSP e da PJ, as Autoridades Metropolitanas de Transportes.

No entanto, Santana terá de ter em consideração que tem sido criticado, até por militantes do seu partido, por erros cometidos na governação, como o da colocação dos professores, a descoordenação ministerial e a introdução de portagens. O caso político que marcou a semana fragilizou ainda mais o Governo. As controversas declarações do ministro Rui Gomes da Silva sobre os comentários de Marcelo na TVI e a suspeitas de pressão do Governo para que o comentador abandonasse a estação, puseram o Executivo e o PSD com os nervos em franja.

Como dificilmente Santana conseguirá fugir ao tema, o líder parlamentar do CDS, Nuno Melo, prontifica-se a contribuir para não se seguir esse "rumo que será o da Oposição".

Sabe-se já que o PS vai contrapor o optimismo de Santana com os casos mais polémicos.

O BE e o PCP apresentarão projectos alternativos à lei das rendas. O comunista Bernardino Soares, questionará Santana sobre a situação da Bombardier e o bloquista Francisco Louçã denunciará novamente a "fragilidade do Governo por não ter sido eleito". Isabel Teixeira da Mota