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Cidade do Cinema acende disputa

Cidade do Cinema acende disputa

Dois concelhos, a norte e sul de Lisboa, disputam taco a taco o projecto de Cidade do Cinema que o luso-americano Carlos de Mattos quer criar em Portugal. Ao contrário do Barreiro, que optou por tornar pública a sua entrada na corrida à "nova Hollywood", esperando marcar pontos, Sintra negoceia em segredo, tendo reiterado o seu interesse depois de saber que não estava sozinha na disputa.

O JN apurou que o luso-americano - maior accionista da CDMInteractive, Inc. - ainda não optou entre a paisagem idílica de Sintra e o ambiente pós-industrial da Quimiparque. Aguarda que os novos executivos municipais tomem posse, até porque as eleições do passado domingo ditaram novas cores políticas no Barreiro.

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A cidade ribeirinha, sem constrangimentos de carácter ambiental, está bem colocada na disputa, mas as negociações são recentes. Em Sintra, há uma carta de intenções assinada entre a CDMI e a Sociedade Agrícola Valle Flor, proprietária da gigantesca Quinta Miramar, com entradas pela Lagoa Azul e Capuchos, como revelam os americanos no seu sítio da Internet.

O compromisso com a Quinta Miramar foi assumido depois de falhadas as negociações para instalar a Cidade do Cinema junto à Base Aérea de Sintra. Antes disso, o projecto esteve pensado para Cascais. No entanto, permanecem os fortes impactes ambientais .

O Barreiro, que não é zona protegida ou candidato a Património Mundial da UNESCO, poderá ser a solução rápida que o luso-americano pretende, até porque o JN apurou que já ameaçou bater com a porta, levando a sua City para outro país europeu.

O cineasta Fonseca e Costa, entusiasta do projecto desde o início, lamenta o impasse criado em torno da Cidade do Cinema. "É lamentável que ainda não esteja feito. Seria bem diferente a situação do cinema português. Está encalhado pelo mau encaminhamento das negociações dos sucessivos governos, que não têm olhado para o projecto com atenção".

Encantado com o Tejo

Carlos de Mattos esteve na Quimiparque em Maio, a convite da Câmara do Barreiro, confessando-se encantado com o ambiente pós-industrial, a "vista bonita para Lisboa" e com o rio Tejo, o que lhe permitiria criar um estúdio subaquático.

Contudo, o Barreiro não tem o glamour ou a oferta hoteleira de Sintra. Ainda assim, a decisão de Carlos de Mattos pode pender para a margem sul, dado o consentimento e interesse manifestado pela Quimiparque e Ministério da Economia.

Se a Cidade do Cinema for para o Barreiro, ocupará apenas um sexto da Quimiparque, avança Luís Tavares, administrador do parque. Assegura que a "fábrica" do cinema e da televisão pode coabitar com a pouca indústria pesada existente, remetida para outra ponta do território e separada pela área destinada à terceira ponte sobre o Tejo (ver infografia) .

Rapidez é o maior trunfo

Luís Pedro Cerqueira, vice-presidente da Câmara do Barreiro, sublinha que "a decisão em tempo útil, sem tantos condicionamentos que impeçam o projecto de avançar rapidamente" é o maior trunfo que o concelho oferece.

Ficam apenas por resolver problemas relacionados com a descontaminação dos solos. Luís Tavares, minimiza a questão. Frisa que tanto a descontaminação como a construção de acessibilidades serão feitas com recurso a candidaturas a fundos comunitários.

O JN tentou ouvir responsáveis da Câmara de Sintra e da Sociedade Agrícola Valle Flor, mas ninguém se mostrou disponível para prestar esclarecimentos.

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