O Jogo ao Vivo

grande_porto

Grupo luta pelo regresso do comboio à Alfândega

Grupo luta pelo regresso do comboio à Alfândega

Carla Sofia Luz

Não falta GARRA na defesa do regresso dos comboios à velha linha da Alfândega, no Porto. Há 16 anos que o ramal, que ligava a zona ribeirinha à estação de Campanhã - e servia para transporte de mercadorias - está desactivado. Foi oficialmente encerrado em 1989. Desde então, permanece sem utilidade, apesar de algumas ideias lançadas ocasionalmente para a reutilização que nunca se concretizaram.

PUB

Os carris sobrevivem à passagem do tempo e aos avanços da vegetação, num momento em que um grupo de cinco cidadãos se une por um objectivo comum rentabilizar o ramal ferroviário esquecido, colocando-o ao serviço do Porto, seja por comboio, por eléctrico ou pelo metro. E assim nasceu o Grupo de Apoio à Reabilitação do Ramal da Alfândega (GARRA), após uma visita de duas horas à velha linha no passado dia 23 de Julho. Ontem, voltaram a cruzar um pequeno troço para assinalar o potencial do trajecto.

"Gostamos do transporte público e do transporte ferroviário e entendemos que é um desperdício que nada se faça com este ramal. A nossa função, enquanto grupo de acção, é mobilizar pessoas e entidades para que tomem decisões", no sentido da revitalização daquela ligação, notou Emídio Gardé, um dos membros do GARRA, ao andar entre os carris ladeados por vegetação, folhas de jornal e plásticos.

Comboio a vapor

Entre o abandono visível da linha sobram marcas do passado. Ainda resiste o sinal da antiga passagem de nível, alertando o peão com a conhecida frase "Pare, escute e olhe", e parte do pontão que sobrevoava a Rua do Freixo.

Apesar de 16 anos de desactivação, o grupo acredita que é possível reaproveitar o canal e os três túneis entre Campanhã e Alfândega para criar uma ligação urbana de passageiros. E propõem três soluções (ler Nos carris). "O que faria mais sentido seria a solução ferroviária um comboio urbano entre a Alfândega, Campanhã e Leixões", sublinhou Emídio Gardé, lembrando que já existe material ferroviário adaptável à linha. Por uma questão de economia, considera que poderia não ser rentável recuperar a linha e comprar material circulante só para fazer 4,5 quilómetro entre as estações de Campanhã e da Alfândega.

Dada a curta distância, não exigiria a duplicação da linha. Poderia instalar-se um vaivém compatível com uma utilização turística, por exemplo, aos fins-de-semana, usando o comboio a vapor. A vista para o rio Douro desde o Freixo até à Alfândega convida ao passeio e seria uma extensão natural da viagem de Campanhã até à Régua. O metro e o eléctrico moderno são as outras duas hipóteses.

Enquanto não chegam, restam os passeios a pé.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG