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Ciclovia sem segurança

Ciclovia sem segurança

Está habituado a grandes pedaladas na arte do cicloturismo. João Fernandes, 32 anos, agente de seguros, habitou-se, já lá vão cinco anos, ao gosto pela actividade física ao ar livre. Trocou as chuteiras pela bicicleta e, duas vezes por semana, passeia-se pela variante da Encosta, em Lamaçães, Braga. Como ele também Álvaro Santos, estudante, pedala diariamente cerca de 10 quilómetros as ruas de Braga. Ambos partilham uma ideia "A cidade não tem ruas adaptadas para o cicloturismo". E classificam a ciclovia, em frase de construção, na variante da Encosta, uma ideia "pouco feliz" da Câmara Municipal de Braga.

A contestação ao projecto tem suscitado os mais variados comentários, mas, agora, veio a Associação de Ciclismo do Minho (ACM) alertar o município de Braga para o rol de defeitos da ciclovia, considerando que "está longe de satisfaz os parâmetros desejáveis para a prática do cicloturismo", e que o percurso definido "não garante as regras mínimas de segurança".

As anormalidades detectadas pela AIM são várias pista demasiado estreita, não permitindo o cruzamento ou a circulação de bicicletas, nem as "inevitáveis" ultrapassagens; acresce, ainda o facto dos lancis de "protecção" serem demasiados altos, podendo provocar o embate dos pedais ou rodas de bicicleta e, assim, a consequência queda do ciclista e a sua projecção para a faixa de rodagem automóvel.

Mais preocupante é o traçado da ciclovia, que atravessa várias rotundas, baías de estacionamento automóvel e cruzamentos, situação que, para a ACM, implica cuidados especiais para os utentes, já que a pista, com base na sua construção, "provoca uma falsa sensação de segurança".

Daí que a ACM avance agora com duas sugestões - já apresentada ao município de Braga -, as quais assentam na remoção dos lancis, delimitação da via com bandas sonoras e marcação bem visível do corredor de circulação de bicicletas. Por outro lado, recomenda a elevação do pavimento até à altura do passeio, alargando, assim, o corredor criado que beneficiaria da possibilidade de circulação no passeio.

Tratando-se de uma variante de rápido escoamento do trânsito, cuja via rodoviária serve de "acesso privilegiado" a vários conjuntos comerciais de "grande dimensão", a par de servir freguesias marcadas por uma forte "explosão" urbanística e demográfica, como sejam Lamaçães, Fraião e Nogueira.

De resto, a ciclovia tem servido, em período de campanha autárquica, para os candidatos da oposição criticarem o projecto. Uns consideram-no "um disparate"; outros "um esbanjamento" de dinheiros públicos. Os ciclistas, anónimos, colocam reservas ao traçado da pista e à sua funcionalidade, em termos de equipamento de lazer.

A ciclovia, que representa um custo de 250 mil euros, na sua primeira fase, será inaugurada na primeira semana de Outubro, cujo traçado contempla uma extensão de aproximadamente quatro quilómetros.

Pista

Compreende, numa fase inicial, três quilómetros, na variante da Encosta, a que acrescem mais 700 metros em zona de esforço e outros tantos em descida. Segunda fase Prevê um circuito de aproximadamente seis quilómetros, com traçado ao longo das margens do rio Este e ligação à Rodovia e centro da cidade.

Investimento

A primeira fase do projecto ciclovia implica um investimento de 250 mil euros.