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"Compras à pressa não são solução"

"Compras à pressa não são solução"

A presença portuguesa no Afeganistão vai dividir-se em duas vertentes, o controlo do aeroporto de Cabul, atribuído à Força Aérea, e a contribuição para a força de intervenção que está na dependência do comando da ISAF - a força da NATO no Afeganistão -, missão onde vai estar enquadrada a companhia de comandos do Exército.

Mas para lá do planeamento dos gabinetes, há, de facto, a repetição de uma realidade, a insuficiência nacional no campo militar. Quem o diz é o general Loureiro dos Santos, num comentário ao JN sobre os atrasos no reequipamento da companhia de comandos "Foi assim para a Bósnia, foi assim para Timor, em que tivemos que comprar à pressa viaturas para Timor, e a história repete-se agora com a aquisição de viaturas para o Afeganistão".

Para Loureiro dos Santos, a "culpa não é, no entanto, do actual Governo. Tem a ver, sim, com as prioridades estabelecidas na Lei de Programação Militar, durante o Governo de Durão Barroso e não se extinguem nos submarinos". Para o general, "há muito que se devia ter dado prioridade aos programas que são de facto importantes tendo em conta as operações de apoio à paz", como os blindados e a arma ligeira - processos que ainda decorrem. De acordo com Loureiro dos Santos, "não podemos estar sistematicamente a fazer aquisições à pressa cada vez que há uma missão do Exército no exterior. Este sistema não é solução". E salienta, recordando a situação da Bósnia e de Timor e apontando agora a do Afeganistão, "estamos a espalhar a nossa insuficiência pelos vários continentes".

Segundo soube o JN, um exemplo surge com as viaturas blindadas Panhard M-11. Em 2003 aquando da preparação da missão para o Iraque, a GNR chegou a colocar a hipótese de pedir as M-11 ao Exército, mas a hipótese ficou cancelada em particular porque os blindados não dispunham de ar condicionado. No entanto, dois anos depois, as mesmas viaturas continuam sem esses equipamentos e, por outro lado, estão a ser quase completamente operadas no Kosovo.

A GNR acabou por comprar blindados próprios, o Iveco Protetto, vinte um viaturas, inclusive um blindado ambulância, que se mantêm disponíveis no Regimento de Cavalaria da GNR. No entanto, até ontem à noite, a GNR não tinha sido contactada pelo Exército para eventual cedência de viaturas, segundo fontes do Comando da Guarda adiantaram ao JN.

À partida, em causa estaria a resistência do veículo em particular a minas, um dos maiores riscos no Afeganistão e o facto de serem necessárias entre 25 a 30 viaturas, um número superior àquele de que dispõe a GNR. C.V.