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Elogio ao romantismo com Manuela Tojal

Elogio ao romantismo com Manuela Tojal

Apromessa estava feita, faltava concretizá-la. José Libório assumiu um pacto com a sua mulher, Manuela Tojal continuar com a sua obra de criadora de moda. Se, no início, e no turbilhão de emoções que se dá sempre que o destino ceifa a vida a alguém , a capacidade de executar o trato era repleta de incertezas, depois da apresentação da nova colecção Manuela Tojal, anteontem à noite, no Porto, não há dúvidas de que o espírito da criadora continua vivo.

Ao apelo da apresentação da nova colecção Manuela Tojal responderam largas dezenas de pessoas que se acumularam na romântica casa do início de século situada na Avenida da Boavista. Entre amigos e curiosos esteve presente uma das musas da criadora, Catarina Furtado, acompanhada do marido, o actor João Reis, e da mãe, Helena Furtado, e também outros criadores como Pedro Mourão e Ana Abrunhosa marcaram presença.

A cumplicidade entre José Libório e Manuela Tojal foi o factor-chave para a extensão da sua obra. "Gostávamos dos mesmos livros, dos mesmos discos, das mesmas coisas, eu estava dentro da cabeça da Manuela", confessou, emocionado. O novo processo de criação, considerado pela equipa como "o grande momento após a morte de Manuela", foi explicado por Bianca, a jovem estilista alemã que tinha estagiado com Manuela Tojal "Partimos de quatro desenhos da Manuela e acrescentámos desenhos meus e também do José", explicitou, acrescentando que "o apoio das modistas foi essencial, porque sabiam exactamente como é que a Manuela fazia as coisas, trabalhavam com ela há quinze anos".

Fruto desta busca incessante do espírito de Manuela na nova colecção, as mulheres continuam a não andar, mas a flutuar, deixando esvoaçar os seus mantos de sedas e organzas. Os trajes continuam compridos e cintados, sempre com decotes que lhes tornam a silhueta esguia, os braços e as pernas muito compridos, assim como nos croquis que desenhava. As cores continuam aguareladas, como numa foto sepia guardada num álbum de família onde se arquivaram os momentos mais felizes da vida. Os pormenores são melancólicos e românticos, por vezes formam um intricado de flores, outras desmaiam aos pés das mulheres como rendidos pela sua beleza.

Como a perfeição e romantismo não se compadecem com megafábricas de produção, cada um dos vestidos da nova colecção de Manuela Tojal "tem, no mínimo, um mês de trabalho", explicou José Libório. É de realçar que muito do trabalho é feito à mão, o que o torna irrepetível para que quem o veste saiba que é único.

De uma sala, como de uma caixa de sonhos, saíram com os trajes de princesa Astrid, Diana Pereira e Rita Lito, entre outras modelos, que, imbuídas do dramatismo de Manuela Tojal, deambularam ao som de música clássica e de jazz, para deleite dos presentes. Atrás da porta ficaram, nervosas, as modistas que como preciosos duendes se encheram de timidez na hora de agradecer, juntamente com Bianca e José Libório, enquanto as modelos, à semelhança do ano passado, permaneceram numa montra de vidro, tal qual como Branca de Neve quando o Príncipe Encantado se apaixonou por ela.

Mas nem só nos vestidos Manuela Tojal deixou contos de fadas ."Para muito breve", mas ainda sem data concreta, será publicado um conto infantil que Manuela Tojal escreveu, cujos lucros reverterão a favor do Instituto Português de Oncologia.

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