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Marcha atrás no fim d o comboio Porto-Vigo

Marcha atrás no fim d o comboio Porto-Vigo

Equívoco. A expressão é do porta-voz da CP para explicar, ao JN, o aparente recuo na supressão as ligações dos comboios internacionais entre Porto e Vigo. "O assunto esteve em análise", confirmou o mesmo porta-voz. O serviço, recorde-se, tem 92 anos de história e na gare dos protestos estão autarcas e passageiros.

Desta vez, os maus ventos não vêm de Espanha. Em Portugal, a CP e a Refer juntas decidiram deixar de investir no comboio e, em muitos casos, optaram por abandonar à sua sorte a via férrea, estações e apeadeiros. Com os desastrosos resultados conhecidos. No caso da linha do Minho, a oferta não traduz modernidade, o conforto e a rapidez do séc. XXI.

As carruagens pararam no tempo e a via não suporta grandes velocidades. Por isso, milhares de pessoas optam por seguir viajar através das modernas estradas. Resultado entre 2001 e 2004, segundo números fornecidos pela CP, a Refer perdeu 7773 mil passageiros.

Hoje, uma viagem de comboio entre as duas localidades demora, em média, cerca de três horas e meia. Pela A3 (Porto-Valença) e, depois, pela autopista do Atlântico, o automobilista alcança Vigo em pouco mais de uma hora.

Quanto a tarifas, há semelhanças enganadoras uma viagem em 1ª classe entre o Porto e Vigo custa 18,15 euros; de carro, os 152 quilómetros custam 8,85 euros em portagens, a que acrescem 9,13 euros para uma média de combustível de 6 litros aos 100 quilómetros.

Para a CP, o serviço é "internacional", mas na operadora espanhola, a Renfe, tem o carimbo de "regional". Por isso, os preços dos bilhetes são diferentes e muitos optam por comprar o ingresso até a Tuy e, depois, solicitam ao revisor o adicional até Vigo. "Não faz sentido à CP aplicar tarifas mais altas das praticadas pela Renfe. Esta política desincentiva os passageiros a não comprar o bilhete directo ao destino", contou, ao JN, um funcionário da CP.

Depois dos equívocos, o presidente da CP apressou-se a garantir ao presidente da Câmara de Viana do Castelo, Defensor Moura, a continuidade do comboio Porto-Vigo e introduzir melhorias nas ligações ferroviárias entre as duas cidades.

As promessas não travam, porém, a ameaça de colisão quanto ao polémico traçado do TGV, nomeadamente, os "atentados paisagísticos" que pairam sobre os centros históricos de Valença e Vigo. "Seria um desastre para a região. Por isso, estamos dispostos a bater o pé à CP", garante José Luís Serra, presidente da Câmara Municipal de Valença.

Será que o TGV sai do papel?

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