cultura

Morreu Pádua Ramos

Faleceu na noite do passado domingo, na sua residência,em Matosinhos, o arquitecto Pádua Ramos. Com a sua morte desaparece uma das mais marcantes figuras da cultura nacional das últimas décadas.

Era, na actualidade, um dos maiores, senão o maior, coleccionador de arte popular e erudita que havia no país. É sua a maior colecção da Europa de peças de arte do século XV aos nossos dias jóias, móveis, esculturas, cerâmicas e pinturas, num total que se aproxima das duas mil peças. Pádua Ramos foi, também, um criador de excepcional craveira nomeadamente de peças de ourivesaria. Como coleccionador de arte popular juntou cerca de 400 peças representativas de artistas artesãos de todos os pontos do país. Da sua colecção erudita fazem parte milhares de peças assinadas por artistas tão famosos como Lalique, Daum, Tiffany, Gallé ou Walter Ruhlmann, Fauré, Denis ou Le Faguays ; e também G. Braque, Dali ou T. Wesselman .

Luís Duarte de Pádua Ramos nasceu na antiga cidade de Lourenço Marques, hoje Maputo, em Moçambique, no dia 22 de Janeiro de 1931. Tinha, portanto, 74 anos . Fez a instrução primária naquela antiga colónia onde ainda chegou a frequentar o liceu. Em 1945 mudou-se para Portugal para acabar os estudos secundários como aluno interno no Colégio de Almeida Garrett. Cinco anos mais tarde matriculou-se em Arquitectura na Escola Superior de Belas Artes do Porto onde teve mestres como Carlos Ramos e Júlio Resende e foi condiscípulo de José Rodrigues, Jorge Pinheiro, Espiga Pinto e Ângelo de Sousa. Acabou o curso com a classificação de 20 valores. Entretanto havia conquistado já dois importantes prémios Mota Coelho (ESBAP), em 1952; e Soares dos Reis (Academia Nacional de Belas Artes) em 1953.

Em 1955, quando ainda era estudante de Arquitectura , recebeu um convite para trabalhar com o arquitecto Carlos Loureiro que era seu professor. Dois anos depois defendeu, para conclusão do seu curso de Arquitectura, uma tese sobre "A incidência solar sobre a arquitectura e urbanismo".

Em 1960, o arquitecto Carlos Loureiro convidou-o para seu sócio passando os dois, a partir dessa altura, a trabalhar em equipa e em sociedade. Em 1969 abandonou o lugar de assistente na ESBAP para se dedicar por inteiro ao gabinete e à sua actividade em regime de profissão liberal.

Em 1975 foi criado, por escritura pública, o GALP (Gabinete de Arquitectura Loureiro Pádua). Entre as mais de 200 obras saídas deste gabinete contam-se o Centro Pastoral Paulo VI; e a zona de protecção e de valorização da Capela das Aparições e os edifícios laico-religiosos do santuário de Fátima; o Hotel Solverde, na Granja; o Hotel D. Henrique, no Porto; a recuperação do edifício do Hospital de Santo António e a sua nova fase; a Faculdade de Ciências, no Campo Alegre.

Pádua Ramos, que foi um dos fundadores do Lugar do Desenho de Júlio Resende, é uma das muitas personalidades que figuram no Dicionário de Personalidades Portuenses do Século XX editado pela Porto Editora no âmbito da Porto Capital de Cultura 2001. Era casado com Maria da Graça e pai de Luísa Maria, casada com o médico Luís Medina; e avô do Diogo e da Luisinha. O corpo está em câmara ardente na igreja paroquial da Senhora da Hora de onde sairá hoje, às 10. 30 horas, para o cemitério loca,l para jazigo da família desenhado pelo próprio Pádua Ramos com uma porta de José Rodrigues.

ver mais vídeos