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Nos bastidores da grande folia vareira

Nos bastidores da grande folia vareira

Natacha Palma

Na oficina dos Vampiros, a azáfama é grande. Cortam-se grandes pedaços de espuma que irão servir de enchimento dos fatos dos 40 elementos do grupo carnavalesco, que existe há uns respeitosos 34 anos. Apesar do tempo começar a ser escasso, reina a boa disposição num grupo dominado por homens. A única mulher é a porta- bandeira. "Há quanto tempo começámos a trabalhar para o Carnaval? Quinze dias..., mas, tirando aqueles em que não fizemos nada e o dia do jogo Benfica-Sporting, trabalhámos uns sete dias. No máximo", mente Fula Gomes que, convém não esquecer, é veterano internacional de atletismo. Na realidade, o trabalho começou na época do Natal e teve mesmo de ser, até porque são os próprios elementos do grupo que se responsabilizam por tudo, desde os fatos, ao carro alegórico até aos mais pequenos pormenores, como adereços, pinturas e balões... "Acha que o subsídio que a Fundação do Carnaval de Ovar nos dá, chegava para pagar a alguém para fazer esse trabalho por nós?", atira, por sua vez, Alfredo Ferreira, em forma de gracejo, mas não falhando a oportunidade de fazer passar a mensagem... O trabalho é, por isso, muito e as condições nem sempre são as melhores.

Campeões sem frio

Aos 250 elementos da escola de samba Charanguinha, actual campeã, já não bastasse o frio que se sente no armazém alugado que serve de oficina, ainda têm de lidar amiúde com apagões. O espaço é pequeno de mais para quem tem de ensaiar bateria e passistas, mas, ainda assim, nada faz esmorecer o espírito folião. Carlos Granja, presidente da Charanguinha, revela que o sonho é ir cada vez mais longe e criar a primeira Escola de Samba Mirim, uma escola para crianças, onde elas pudessem sentir o Carnaval desde muito cedo. "Até porque, hoje, não basta abanar as ancas de um lado para o outro e bater com os pés no chão e dizer que se dança samba. O grau de exigência é cada vez maior e há, por isso, que aprender desde muito cedo", explicou Carlos Granja, num cenário de penas e plumas, onde se começa a desvendar um pouco do que será conhecido, depois de amanhã à noite, no desfile das escolas de samba.

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