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Peixes mortos no rio Vouga

Peixes mortos no rio Vouga

Acausa da morte de dezenas de peixes encontrados no rio Vouga, junto à mini-hídrica da Grela, em Pessegueiro, Sever do Vouga, está a ser estudada, com base nas análises da água e nos exemplares encontrados, maioritariamente barbos. A situação foi comunicada à autarquia pelo presidente da Junta de Pessegueiro "Muitos peixes ficaram presos nas grades da mini-hídrica e através do sistema de limpeza foram expelidos para as margens do rio", explica Armando Ventura.

O facto de a morte afectar praticamente só barbos tem causado estranheza, uma vez que se trata de "uma das espécies mais resistentes à poluição", afirma Rui Cordeiro, biólogo e presidente da Vertigem, associação que desenvolve projectos ambientais no concelho. O caso está a ser estudado por especialistas da associação e de acordo com Rui Cordeiro, "todas as hipóteses estão em aberto, sendo prematura adiantar uma conclusão".

"A morte pode ter sido ocasionada por poluição, mas a hipótese de uma doença provocada por parasita que afecta ocasionalmente essa espécie, não está descartada", explica Cordeiro. "A única certeza no momento é que, de acordo com as análises, está a haver poluição (ver ficha) e muitas das descargas são feitas à noite. Mas definir o local exacto não é possível porque não há monitorização em todo o rio e o problema pode até estar fora do concelho".

A Brigada de Protecção do Ambiente da GNR de Águeda inspeccionou as margens do rio na tentativa, sem êxito, de encontrar vestígios de despejos. "O problema está a ser investigado, com a ajuda das entidades competentes, e estamos à espera da conclusão das análises feitas aos exemplares para, com mais dados, tomarmos as medidas de forma a resolver a situação", afirma o vereador António Coutinho.

Suiniculturas

A monitorização feita, de hora a hora, junto a mini hídrica revelou, nas análises da água, picos de subida dos níveis de amónia, principalmente durante a noite e fim-de-semana. Segundo o biólogo Rui Cordeiro, a libertação da amónia está relacionada com o trabalho de uma bactéria que, ao digerir material orgânico, liberta a substância. Pode ser originada por descargas de suiniculturas. No entanto, o biólogo alerta para o facto de ser cedo para conclusões, uma vez que as análises estão em estudo. A área investigada é a jusante da hídrica, pois não há peixes mortos a montante.

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