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Público valoriza trabalho de antigos apresentadores

Público valoriza trabalho de antigos apresentadores

Os rostos que em várias épocas surgiram nos ecrãs da televisão são difíceis de esquecer do grande público. Os mais novos não identificam os nomes, mas a maioria da população lembra-se das antigas apresentadoras da RTP Isabel Baía, Fátima Medina, Valentina Torres, Alice Cruz, Isabel Wolmar, ou de Fialho Gouveia, Henrique Mendes e Artur Agostinho, entre muitos outros.

O JN fez um breve inquérito de rua e de uma forma quase unânime todos os inquiridos recordaram imediatamente alguns dos que deram a cara ao longo dos anos na televisão. Fialho Gouveia, Alice Cruz, Rui Romano, Henrique Mendes e Maria Leonor (todos já falecidos) foram os mais mencionados, logo seguidos de Artur Agostinho, Eládio Clímaco, Isabel Wolmar, Isabel Baía, Raul Durão e Valentina Torres.

Na opinião de Maria Teresa Rodrigues, professora primária aposentada, "os apresentadores da televisão, antigamente, eram diferentes", apesar de não saber especificar muito bem onde está a diferença. Recorda Maria Leonor , Henrique Mendes, Fialho Gouveia e Artur Agostinho, "como grandes figuras da televisão, sobretudo num tempo em que não havia os truques da informática. "Era preciso ser muito bom para vingar", acrescentou.

Não querendo entrar em comparação com as caras conhecidas de ontem e de de hoje, Teresa Rodrigues acha que actualmente "se diz e faz muita asneira em televisão. Julgo que para ser apresentadora basta ter uma cara bonita, quando antigamente não era bem assim. Via-se que as pessoas tinham outra preparação e não era qualquer um ou qualquer uma que ia lá parar". A antiga professora admitiu, por outro lado, que, às vezes, cora de vergonha e diz aos netos para "fecharem os ouvidos" quando ouve algumas calinadas. "São caras bonitas, agradáveis, mas soltam cada uma..."

Ideia quase semelhante tem Feliciano Ferreira, delegado de propaganda médica, que entende que a televisão, antigamente, apesar de tudo, era mais cuidada. "Hoje, se calhar, as pessoas confiam de mais nas máquinas e descuidam o lado humano, daí surgirem por vezes pessoas no ecrã que não estão preparadas e depois a coisa não corre tão bem".

Maria de Lurdes Ferreira lembra com saudade Alice Cruz, Maria Leonor e Henrique Mendes que classifica de "profissionais de grande categoria". Considera que como eles não há igual, apesar de admitir que nas novas gerações também há gente muito interessante, como Fátima Lopes, Catarina Furtado e Cristina Ferreira. Mas, dos novos rostos também diz que "há gente que está lá, mas não tem jeitinho nenhum, ou entram com grandes cunhas ou, então, é só pelo aspecto, porque depois abrem a boca e é só asneirada...".

Fátima Medina, ex-locutora e que regressou ao ecrã como jornalista, é um dos rostos que aparecia frequentemente. Hoje, voltou, apesar de os papéis serem diferentes, como também é, segundo diz, o meio que envolve os apresentadores.

A jornalista recorda o cuidado que havia em escolher as pessoas que iam aparecer no ecrã. Lembra, por exemplo, o concurso rigoroso a que foi sujeita para entrar na RTP.

"Entrei em 1978, depois de ter participado no último concurso público para locutores. Éramos 2500 jovens e foram seleccionadas 14 pessoas, depois de nos termos submetido a oito provas rigorosíssimas onde se punha à prova os conhecimentos de Português, presença em estúdio, boa voz, capacidade de improviso e ser bom comunicador", sublinhou a jornalista, que considera que hoje os critérios são diferentes.

Na sua opinião, o critério geral que é utilizado actualmente assenta no de se ser bom manequim, o que, acrescenta "não é a melhor solução, porque o fundamental é ser bom comunicador".

Fátima Medina lembra, por exemplo, o caso de duas pessoas que "não são propriamente bonitas esteticamente, mas são exemplos de grandes comunicadores, como Vitorino Nemésio ou José Hermano Saraiva".

Para Fátima Medina, apesar de haver algumas excepções e de considerar que há "gente nova muito boa na apresentação", também se verifica que "nesta área, há ainda muita escolha feita no critério da carinha laroca. Há ainda a preocupação mais no sentido estético do que técnico".

A ser assim, a ex-locutora e actual jornalista no programa "Portugal em directo" confessa que, às vezes, se sente chocada por ver apresentadores a dar erros de Português "absolutamente incríveis" e que denigrem a imagem que se pretende séria e credível dos profissionais de televisão.

Fátima Medina entende que a televisão , devido às grandes audiências, "tem a obrigação de dar o exemplo ".

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