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Sociedade de Porcelanas vai fechar e deixa 27 na rua

Sociedade de Porcelanas vai fechar e deixa 27 na rua

Miguel Gonçalves

A Sociedade de Porcelanas de Coimbra vai encerrar as portas no dia 12 de Dezembro. Os últimos 27 trabalhadores da empresa cerâmica estão psicologicamente de rastos. É mais um Natal que vão passar na agonia, sem dinheiro, sem rumo, sem futuro.

Ontem ao meio dia, os trabalhadores concentraram-se à entrada da velha indústria e, com um olhar pesaroso, condenaram a atitude do patrão "Enganou-nos. Assinou compromissos no Ministério da Segurança Social e do Trabalho e na Câmara Municipal de Coimbra a garantir que iria construir uma nova fábrica, em Eiras. Os trabalhadores concordaram com essa deslocalização. Aceitámos sair daqui e não criar obstáculos a que estes terrenos se destinassem a fins imobiliários. Afinal, mentiram-nos. Querem fechar isto e obrigar-nos a ir trabalhar para S. Mamede, Fátima. Com o intuito, claro está, de, depois, nos colocarem a todos na rua. Isso é inaceitável", afirmou o funcionários Joquim Lopes, ao mesmo tempo que, a seu lado, uma série de colegas acenavam em tom de concordância com as suas palavras.

"É mau para o patrão e para nós a nossa deslocação diária para tão longe. São quase três horas de viagem. Saímos todos a perder. Para além do mais, dizem-nos que a empresa que o patrão tem em Fátima não está a pagar normalmente os salários. Portanto, saíamos de um problema e metiamo-nos noutro. Isso é inviável. Para além do mais, ele só tem de cumprir com aquilo que acordou por escrito com o Governo e com o Município, que é construir uma fábrica em Eiras", defendem os trabalhadores José Rodrigues e João Almeida.

Jorge Vicente, do Sindicato dos Cerâmicos, afecto à CGTP, culpou a Câmara e e a entidade patronal pelo anunciado encerramento da Sociedade de Porcelanas "O empresário comprou esta fábrica, há anos, apenas para especulação imobiliária e a Câmara não faz nada para impedir isso".

O JN tentou ouvir um comentário da entidade patronal, mas todos os esforços resultaram infrutíferos.

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