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Rio Tinto sofre com o cheiro da ETAR

Rio Tinto sofre com o cheiro da ETAR

"Há dias em que não se pode aguentar", diz Maria de Lurdes da Silva. A menos de um metro, correm as águas do rio Tinto, um bocado mais longe está a ETAR de Rio Tinto. É esta última que os moradores da zona da ponte de S. Roque, em Gondomar, culpam pelo cheiro pestilento e quase insuportável que, por vezes, se espalha pelo ar.

Palmira Oliveira e Maria Arlete Leitão confirmam as palavras da vizinha. As três estão sentadas junto ao rio, no pátio das suas casas. Qualquer uma das moradoras habita no local há várias dezenas de anos e sempre conheceram o rio sujo. "Há 38 anos já não se lavava no rio", diz Maria de Lurdes da Silva. Só que, se a situação do rio melhorou, acabou por ser precisamente a estação de tratamento de águas residuais a criar novos problemas.

Mesmo para quem mora longe, o odor libertado pela ETAR é um incómodo. Palmira Oliveira diz que tudo depende do vento "O cheiro espalha-se para sítios bem longe daqui".

O problema do mau cheiro libertado pela ETAR de Rio Tinto já foi debatido nas reuniões da Câmara de Gondomar.

Admitindo que tal não deveria acontecer, os responsáveis atribuiram um acréscimo dos odores ao ano de seca em conjugação com condições meteorológicas desfavoráveis.

As moradoras da Travessa do Meiral confirmam que são os próprios responsáveis da ETAR a pedir que os avisem quando os cheiros aparecem. "Nessa altura, resolvem o problema, mas passados dois ou três dias lá volta o mau cheiro", diz Maria de Lurdes da Silva. Pior mesmo é quando chegam os camiões para levar os resíduos da estação "Nessa altura, ninguém aguenta aqui".

A Câmara e a empresa Águas de Gondomar reconhecem o incómodo causado pela ETAR de Rio Tinto e afirmam que está a ser estudada uma intervenção técnica que deverá minimizar o problema. "O impacto é superior ao previsto e desejado", afirmou uma fonte do gabinete de Imprensa da Câmara de Gondomar, salientando que o facto de este ano ser excepcionalmente seco agravou a situação, já que há uma "maior concentração dos esgotos". Independentemente do facto de ser "normal algum incómodo" junto a qualquer estação de tratamento de águas residuais, a unidade de Rio Tinto apresenta problemas que deverão ser resolvidos com uma intervenção técnica que está a ser estudada por uma empresa especializada. "Só após a conclusão desse trabalho será possível saber a dimensão da intervenção e qual o calendário", afirmou a mesma fonte camarária.