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Soneto ecológico formado por 70 árvores

Soneto ecológico formado por 70 árvores

Mais de uma centena de pessoas plantou ontem um "Soneto Ecológico" em Matosinhos, uma das formas poéticas mais tradicionais que, pela primeira vez, é formada por 70 árvores estrategicamente distribuídas por duas quadras e dois tercetos.

Integrada no "Mês do Ambiente" organizado pela Câmara de Matosinhos, esta iniciativa é da autoria de Fernando Aguiar, que já criou dezenas de sonetos visuais, utilizando formas de expressão estética como a fotografia e a colagem.

Plantado sequencialmente por crianças, adolescentes, adultos e idosos ao som das "Quatro Estações" de Vivaldi, nos terrenos adjacentes ao IP4, junto ao conjunto habitacional da Seara, este soneto é "um poema sobre a natureza escrito com árvores", segundo o artista.

Trata-se de uma instalação ambiental em que as árvores estão organizadas por 14 filas, com cinco espécies cada uma, correspondentes aos 14 versos da estrutura do soneto.

Para que o soneto também rime, as espécies de árvores com que começa e termina cada fila alternam, de modo a configurarem a rima tradicional do soneto. E para que "o verde esteja sempre presente" ao longo das quatro estações do ano, o artista impôs a plantação alternada de árvores de folha caduca e de folha perene. Em declarações à Lusa, Fernando Aguiar afirmou que esta "obra viva literária e de arte contemporânea" foi idealizada há já 20 anos. "Era quase impensável que alguma autarquia disponibilizasse espaço para implementar esta obra, mas sempre tive esperanças de a concretizar", disse.

O projecto foi apresentado pela primeira vez em 1987, no Museu Municipal da Figueira da Foz, até que, em 2004, a Câmara de Matosinhos mostrou interesse em adoptá-lo.

Segundo o presidente da Câmara, Narciso Miranda, esta é uma iniciativa com uma significativa carga pedagógica, porque não foi construída apenas pela autarquia, mas também por toda a comunidade.

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