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Antártida a derreter

O solo gelado da Antártida está a aquecer e poderá começar a derreter, o que provocará a libertação de gases de efeito de estufa, denunciou um especialista, responsável pela instalação do primeiro sistema de medição térmica no local.

O cientista português Gonçalo Vieira esteve nas ilhas Setlands do Sul (Península Antárctica) a coordenar, desde Janeiro até ao início desta semana, uma equipa internacional num projecto denominado "Permamodel", que visa estudar o solo gelado daquela região e as consequências das mudanças climáticas.

O investigador no Centro de Estudos Geográficos disse à agência Lusa que da observação feita no terreno foi possível perceber que "está a haver uma degradação do "permafrost" (solo ou rocha que permanece a temperaturas inferiores a zero graus por períodos muito longos), que este "está a aquecer e poderá começar a fundir".

Segundo o especialista, quando o solo "está congelado não há trocas químicas com a atmosfera, porque o 'permafrost' é como um armazém de carbono que está isolado", mas quando o gelo se funde, o ambiente fica com muita água e são libertados gases de efeito de estufa metano e dióxido de carbono.

Gonçalo Vieira salientou que o perigo de subida dos níveis do mar não se põe no caso do "permafrost", que "é um solo gelado seco, com baixo teor em água".

"O problema são os glaciares e os da Antártida detêm 75% da água doce da Terra", acrescentou. A Antártida é um ponto estratégico do planeta, porque funciona como "uma espécie de refrigerador da Terra", razão por que a instalação de uma rede de monitorização nessa zona é fundamental, considerou.

O projecto assume maior relevo por ter sido na Península da Antártida que se registou uma das maiores subidas de temperatura da Terra "Nesta região, a temperatura média do ar aumentou cerca de 2,5ºC nos últimos 50 anos, um valor monumental à escala mundial", afirmou.