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"Benditos sejam os canhões"

"Benditos sejam os canhões"

Passam hoje 70 anos sobre o golpe militar de Franco contra a Democracia espanhola, que marca o início do pesadelo nazi-fascista que a Europa iria viver ao longo de uma das décadas mais sanguinárias da sua História. A Frente Popular vencera as eleições e obtivera maioria nas Cortes. Direita, Igreja, carlistas e grandes proprietários começaram desde logo a preparar o golpe que reporia a "tradição católica e autoritária de Espanha" e faria voltar as coisas à situação anterior à vitória eleitoral da República em 1931 2000 famílias donas de metade do país, províncias inteiras nas mãos de um só homem; 12 milhões de analfabetos, 8 milhões de pobres, salário médio de 1 a 3 pesetas por dia (um quilo de pão custava 1 peseta). Enquanto Hitler e Mussolini ofereciam a Franco armas e batalhões, França e Inglaterra optaram por uma cobarde neutralidade cujo preço dolorosamente pagariam pouco tempo depois. "Benditos sejam os canhões", clamou a Igreja abençoando os conspiradores. Em três anos, os canhões ceifaram meio milhão de espanhóis e mais dois milhões foram assassinados durante o franquismo, fazendo de Franco, com Hitler e Estaline, um dos maiores criminosos da História europeia do século XX. Resta saber se a Europa aprendeu alguma coisa.

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