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Equilíbrio militar ameaçado pela corrida ao armamento

Equilíbrio militar ameaçado pela corrida ao armamento

A América Latina parece estar a entrar numa corrida armamentista justificada pela necessidade de renovação de material bélico obsoleto. Nos últimos dois anos, segundo centros de análise citados tanto pelo matutino espanhol El País como pelo diário argentino La Nación, houve uma aquisição de material e um salto tecnológico que poderão redundar em sérios desiquilíbrios entre as potências regionais do continente.

Actualmente, os gastos na área da Defesa do Chile, Equador e Colômbia ultrapassam os 3% do Produto Interno Bruto (PIB), enquanto que a média regional se situa nos 1,4% do PIB, segundo a Rede de Segurança e Defesa da América Latina (Resdal). O Chile lidera o desembolso, seguido pela Venezuela e pelo Brasil, a maior potência regional e ela própria exportadora de armamento - todavia, os principais fornecedores da região, segundo o Instituto Internacional de Estudos Estratégicos, são os EUA, a Espanha, a Holanda, a França e a Rússia.

Marcela Donadío, directora da Resdal, afirmou ao La Nación que tais gastos - apesar de tudo muito inferiores aos verificados na década de 1980 - estão "mais relacionados com a porção de poder que as Forças Armadas possuem em certos países do que com as possibilidades reais de conflito entre eles". A excepção seria a Colômbia, cujos gastos em armamento estão directamente relacionados com o conflito que Bogotá mantém com a narcoguerrilha e as inúmeras milícias do país.

No caso da Venezuela, os analistas já não encontram justificativo tão claro para a encomenda recente, por exemplo, de 100 mil metrelhadoras AK-47 à Rússia. Quanto ao Chile, que comprou armas até agora inexistes na região - tanques alemães e submarinos -, Santiago justifica os gastos com a necessidade de renovação de material bélico.

Mas, apesar da paz actual, há sinais importantes de instabilidade na região - como a nacionalização dos hidrocarbonetos na Bolívia (que desagrada ao Brasil), os choques permanentes entre membros da Mercosul e a ingerência do presidente nacionalista venezuelano Hugo Chávez na política interna da Bolívia e do Perú - que poderão acender um rastilho num paiol cada vez maior.

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