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FMI sugere redução dos salários em Portugal

FMI sugere redução dos salários em Portugal

OFundo Monetário Internacional (FMI) apelou, ontem, à moderação salarial em Portugal. Philip Gerson, responsável por uma delegação do organismo que vai estar no país, durante dez dias, para avaliar a economia portuguesa, afirmou, no Parlamento, que o aumento da competitividade, através da redução dos salários, é a melhor forma de estimular o crescimento, a curto prazo.

Admitindo que o ideal seria que a produtividade do país aumentasse, para suportar salários mais altos, Philip Gerson disse, na Comissão Parlamentar de Orçamento e Finanças, que a moderação salarial é, para já, uma boa solução para enfrentar a concorrência dos países da Europa de Leste e da Ásia.

"A economia precisa de uma grande transformação, mas será um processo gradual e lento", avisou, acrescentando que o país não sairá dos actuais níveis de crescimento durante os próximos anos. "Não temos respostas sobre prazos, mas não estamos a olhar para mudanças em um ou dois anos", disse.

Embora vendo sinais encorajadores ao nível das exportações, em que a componente tecnológica tem vindo a ganhar peso, Gerson entende que Portugal precisa de explorar melhor as suas estruturas, gerando novos produtos, e tirar mais proveito da localização geográfica privilegiada.

Travar o défice

O FMI considera positivas as medidas do Governo para conter o défice orçamental, mas lembra que o esforço vai ter de continuar, mesmo quando se atingir o défice de 3% do Produto Interno Bruto imposto por Bruxelas. "Esta redução não é suficiente, a médio prazo. As perspectivas de crescimento da despesa a longo prazo indicam que Portugal precisa de fazer ainda mais ajustamentos, mesmo depois de atingir os 3%", frisou.

Quanto a eventuais mudanças no sistema fiscal português, Philip Gerson referiu não ser o momento apropriado para fazê-las. "Os impostos não são a principal preocupação dos investidores, que se preocupam mais com a proximidade com os consumidores ou a flexibilidade laboral. Se não há receitas que possam ser taxadas, a carga fiscal é apenas um problema secundário", ilustrou.

Para o responsável do FMI, a simplificação do sistema tributário, com eliminação de alguns benefícios fiscais, seria um bom passo para encorajar o crescimento, mas apenas no futuro, já que há outras áreas mais prioritárias para melhorar a competitividade. Concretamente, sublinhou a importância da liberalização do mercado de trabalho e da reforma do sistema de Segurança Social.

A delegação do FMI está de visita a Portuagal para encontrar-se com representantes do Governo, banca, associações sindicais e patronais e Banco de Portugal para depois produzir um relatório, a publicar no Outono.