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Jaime Isidoro faz viagem de 50 anos à pintura

Jaime Isidoro faz viagem de 50 anos à pintura

É até hoje a maior exposição antológica realizada por Jaime Isidoro, um dos nomes mais conhecidos e significativos da arte contemporânea portuguesa. Chama-se "Percursos", é inaugurda amanhã, às 18 horas, na Casa-Museu Teixeira Lopes, em Gaia.

"É uma espécie de viagem no tempo. Eu próprio viajei quando, no silêncio do meu ateliê, abri os armários e tirei de lá quadros que já não via há quase 50 anos. Aí recuei no tempo e revi situações e histórias daqueles tempos", disse ao JN o pintor Jaime Isidoro, admitindo que a mostra é, de facto, "a maior, a maior viagem que fiz até agora". É, sobretudo, uma incursão à sua vida de mais de oitenta anos de existência. "Eu nunca fiz mais nada na vida senão pintar".

Abrangendo mais de 90 obras (óleos e acrílicos sobre papel, madeira e tela) concebidas entre 1944 e os dias de hoje, esta exposição tem uma característica curiosa todos os trabalhos integram a colecção particular do pintor. Poderemos então concluir que "as melhores" pinturas de Isidoro estarão todas neste conjunto, que a partir de amanhã estará à disposição do público? Jaime Isidoro encolhe os ombros, sorri e diz: "Eu geralmente fico com os melhores. Ou melhor, o que considero serem os melhores".

Fases mais importantes

Dividida por três salas da Casa-Museu Teixeira Lopes, a obra exposta traduz coerentemente o percurso do pintor, incluindo praticamente todas as suas fases. O maior relevo centra-se, naturalmente, na figura, na paisagem urbana (quase sempre a cidade do Porto) e no que se poderá considerar paisagem abstracta. São estes, indiscutivelmente, os temas mais frequentes na obra de Jaime Isidoro , que o acompanham ao longo dos tempos e que mais se destacam nesta retrospectiva. Obras sobre o Porto, com incidência para a zona ribeirinha e retratos de Charles Chaplin e Fernando Pessoa chamam a si as principais atenções.

Marcante é igualmente a última e actual fase do pintor, que vem sendo construída desde 2003/2004 . Jaime Isidoro rotula-as de "explosões"; são as que, nas suas palavras, correspondem à sua melhor fase artística. "Estes últimos rompem todas as emoções e sentimentos. Coloco-me frente à tela e depois é um autêntico confronto/diálogo entre mim, a tela, os pincéis e as tintas"- acrescentou.

"Percursos", uma iniciativa do pelouro da Cultura da autarquia gaiense, é, por outro lado, a linguagem encontrada para homenagear um homem que tem uma vida inteira dedicada às artes. Além de ter conquistado inúmeros prémios de pintura e estar representado em várias colecções particulares e oficiais, Isidoro tem o seu nome associado à Galeria Alvarez (o mais antigo espaço de arte existente em Portugal), aos encontros internacionais de arte promovidos há várias décadas em Valadares e nas Caldas da Rainha e também à fundação das bienais internacionais de arte de Vila Nova de Cerveira. A sua colecção particular é também invejável, em que ombreiam nomes consagrados - alguns dos quais ajudou a lançar, organizando-lhes as primeiras exposições - como Almada Negreiros, Amadeo de Souza-Cardoso, Arpad Szenes, Eduardo Viana, Júlio Resende ou Vieira da Silva. Além da exposição será editado um livro sobre a obra do pintor e duas conferências que abordarão os 60 anos entregues à pintura.

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