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Muralha romana da Rua Formosa em museu de vidro

Muralha romana da Rua Formosa em museu de vidro

Caminhar na rua Formosa, em Viseu, tem desde ontem um novo atractivo a musealização do sítio arqueológico, composto por um troço de muralha e um torreão semi-circular romanos, do século III, descoberto em Março de 2004 quando decorriam as obras de requalificação daquela via pedonal.

Localizado na extremidade da rua confinante com o largo de Santa Cristina, o museu ao ar livre revela-se, a partir do solo, por uma enorme placa de vidro assente numa estrutura metálica. No interior, preservados, estão a muralha e o torreão. Vestígios que o Instituto Português de Arqueologia (IPA) classificou, quando foram encontrados, como "a mais importante descoberta feita em Viseu nos últimos anos".

A inauguração pôs ponto final à polémica que na altura se gerou em torno do destino a dar ao achado. Vingou a solução da musealização, a mais consensual, mas também a que mais cuidados exigia. Em causa estava a construção de uma estrutura, de manutenção complexa, que impedisse o aparecimento de fungos e musgos, gerados pela humidade, que pudessem contribuir para a deterioração do achado.

"Foram instaladas câmaras de vídeo, no interior do espaço, que permitirão a futura monitorização, inclusive através da Internet, do comportamento ambiental e seus reflexos na conservação dos achados", disse ao JN Pedro Sobral, da ArqueoHoje, a empresa que descobriu o sítio e é responsável pelo seu restauro e conservação.

O monumento musealizado no sub-solo da rua Formosa a partir de um projecto do arquitecto Henrique Torres "é um troço de muralha romana edificada por volta do ano de 260 da nossa era e reflecte a importância que Viseu tinha como capital de civitas" - lê-se num dos dois painéis informativos colocados junto ao sítio arqueológico.

Nos mesmos painéis, refere-se que os vestígios encontrados durante a investigação arqueológica realizada entre 2004 e 2005 - além da muralha e torreão semi-circular foram descobertas três sepulturas de crianças, uma moeda e pedaços de cerâmica -, revelam que Viseu era, há dois mil anos, "um importante centro político, económico e militar".

"A obra de musealização fez-se, não podemos perder isso de vista, porque a muralha é importante. Marcava, há dois mil anos, a centralidade de Viseu em toda a região. Creio que irá estimular o designado turismo cultural", enfatizou Pedro Sobral.

Inaugurado, ontem à noite, pelo presidente da Câmara de Viseu, Fernando Ruas, o monumento que acolhe a muralha romana custou mais de 400 mil euros e está dotado de um sistema "inteligente". As câmaras de monitorização ambiental e vigilância, a intensidade da luz interior e a climatização podem ser controladas por um telemóvel. Nada se passará no interior que não possa ser controlado à distância. "É mais um degrau na requalificação da cidade", afirmou Fernando Ruas, "indiferente" à forma como alguns poderão classificar a obra feita. "Betão? Cultura? Não me interessa como será caracterizada. O importante é que estamos a dar passos seguros para conferir sustentabilidade ao concelho a todos os níveis", frisou o autarca, que enquadrou, no mesmo processo, a requalificação de quatro ruas do centro histórico viseense.