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Obesidade é a epidemia do século XXI

Obesidade é a epidemia do século XXI

AOrganização Mundial de Saúde (OMS) fez as contas e chegou à conclusão de que no planeta já existem mais pessoas com excesso de peso do que a passar fome. A obesidade deixou de ser um fenómeno exclusivo dos países ricos e em locais como a China, onde a fome ainda atinge mais de 150 milhões de pessoas, o excesso de peso também já afecta mais de 20 milhões de pessoas.

Numa circular normativa da Direcção-Geral da Saúde, enviada para os hospitais quando foi criado o Programa Nacional de Combate à Obesidade, podia ler-se que "a prevalência da obesidade, a nível mundial, é tão elevada que a OMS considerou esta doença como a epidemia do século XXI". Não é para menos, a mesma circular deixa claro que, "se não se tomarem medidas drásticas", mais de metade da população mundial será obesa dentro de 20 anos.

Mundo desenvolvido

Portugal, com mais de um milhão de obesos, está a meio de uma tabela europeia onde estão contabilizadas 130 milhões de pessoas que sofrem com esta doença do excesso de peso, sendo esta a epidemia em maior crescimento no velho continente e que a OMS chamou "Epidemia global do século XXI". No outro lado do Atlântico faz-se o mesmo caminho e contabilizam-se mais de 100 milhões de obesos, entre os Estados Unidos e o Canadá.

O planeta vive neste paradoxo em que se celebra o Dia Mundial da Alimentação, com o "Investimento na Agricultura para a Segurança Alimentar" como tema em foco, mas em que 70% das pessoas que passam fome no mundo vivem exactamente em zonas rurais.

Problemas diferentes

A obesidade não é tanto um fenómeno de excesso de comida mas mais um estilo de vida em que predomina a má alimentação e a falta de exercício, enquanto que a subnutrição é, de facto, a falta de alimentos. Cécile Sportis, directora do Programa Alimentar Mundial na capital francesa, que hoje organiza em Paris uma manifestação contra a fome, salienta que "os mais pobres dos países pobres estão excluídos dos programas de desenvolvimento porque a sua única preocupação é a próxima refeição". Reside também aqui a grande diferença entre estes dois problemas globais de alimentação. A maioria dos obesos está no Ocidente desenvolvido e a maioria dos famintos vive em África ou no sudeste asiático.

Na Índia e na China, os dois países mais populosos do mundo, vivem quase metade de todas as pessoas que sofrem de subnutrição, mas como os dois apresentam grandes taxas de crescimento económico existe uma forte tendência de diminuição do número de pessoas com fome - numa década os dois países passaram a ter menos 45 milhões de subnutridos. No entanto, o problema mantém-se bastante grave no continente africano, onde há países com um terço da população a passar fome, e noutros países do sudeste asiático, e parece impossível cumprir a meta estabelecida há dez anos por chefes de Estado e de Governo de todo o mundo que pretendiam reduzir para metade, até 2015, o número de subnutridos no planeta.