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ONU não consegue debater crise nuclear iraniana

ONU não consegue debater crise nuclear iraniana

O Conselho de Segurança das Nações Unidas cancelou as consultas previstas para hoje para debater uma declaração presidencial sobre a crise nuclear do Irão, dadas as dificuldades para alcançar um acordo, informaram fontes deste órgão.

   Os 15 membros do Conselho tinham previsto debater um projecto de declaração presidencial (não vinculativa) elaborado pela França e pelo Reino Unido, para exigir ao Irão o cumprimento das exigências da Agência internacional de Energia Atómica (AIEA).

   Fontes do Conselho, cuja presidência rotativa é exercida em Março pelo embaixador da Argentina, César Mayoral, assinalaram que alguns membros tinham pedido o cancelamento da reunião e que possivelmente esta voltará a ser marcada para quinta ou sexta-feira.

   O cancelamento ocorre um dia depois da realização de uma reunião de alto nível em Nova Iorque, com altos funcionários dos Ministérios dos Negócios Estrangeiros dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança (China, Estados Unidos França, Reino Unido e Rússia).

   No encontro participou também a Alemanha, que integra com a delegação da França e do Reino Unido a chamada ´troika´ europeia (UE- 3), determinada desde há meses a persuadir Teerão a renunciar às suas actividades de enriquecimento de urânio em troca de um pacote de incentivos económicos.

   A reunião terminou sem acordo sobre a declaração presidencial, e tão-pouco se chegou a consenso sobre uma estratégia mais ampla a seguir em relação à questão iraniana no caso de este país continuar a não cumprir as suas obrigações em matéria nuclear.

   O subsecretário de Estado norte-americano para os Assuntos Políticos, Nicholas Burns, disse à saída da reunião que a aprovação da declaração presidencial "levaria um par de dias mais".

   A China e a Rússia tentam evitar que o Conselho de Segurança tome uma decisão que abra caminho à imposição de sanções ao Irão.

   Ambos os países temem que essa decisão provoque a irritação de Teerão e que este país decida romper todos os contactos com a AIEA e retirar-se do Tratado de Não-Proliferação de Armas Nucleares (TNP).

   Fontes diplomáticas salientaram que, perante a dura oposição da Rússia apoiada pela China, os patrocinadores da declaração presidencial, França e Reino Unido, irão rever o texto para tentar que os dois primeiros se juntem ao consenso.