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Rio diz que falhar reabilitação teria efeitos dramáticos

Rio diz que falhar reabilitação teria efeitos dramáticos

R ui Rio advertiu, ontem, que se a reabilitação da baixa portuense "não for um sucesso", tal significará graves problemas para a economia portuguesa e, em particular, para o sector da construção civil que, defende, tem uma oportunidade única de sobrevivência.

Num almoço com empresários portugueses e espanhóis, o presidente da Câmara do Porto garantiu que, "do ponto de vista do que os poderes públicos podem fazer (seja administração central ou local), o esforço não poderia ser maior". A baixa, disse, "está a ser completamente reabilitada e o metro já lá está". Agora "temos é de conseguir que os privados invistam, porque as condições já estão criadas", defendeu, em jeito de apelo.

A reabilitação da baixa portuense, recordou Rui Rio, "é um negócio excelente para o sector da construção civil", por sua vez "fundamental para o crescimento económico pelo seu grande poder de arrasto". Num contexto nacional de "excessiva capacidade instalada" do sector e de falência, Rio diz que se este "conseguir aproveitar" aquele negócio e tiver condições para o realizar isso será positivo para o Porto e o país em geral".

Um falhanço do actual modelo de reabilitação seria, pelo contrário, "dramático" para o sector e, consequentemente, para a economia nacional. "Se nem aí (reabilitação urbana) conseguir trabalho, como iria sobreviver?", questiona o autarca, preocupado com um cenário de um sector todo ele em falência.

Em suma, se o projecto "não der certo, será um sinal do pior que há na economia portuguesa". Mas Rio prefere garantir sucesso antecipado. "Não equaciono o contrário", disse, após um discurso optimista que procurou transmitir confiança aos investidores presentes. No contexto, garantiu estarem criadas as condições necessárias para investir "com êxito" na reabilitação da baixa, como que colocando a "bola" nas mãos dos investidores. Apesar disso, prefere falar de "responsabilidade global", incluindo o sector da construção civil, que é quem está no terreno.

Aliás, no discurso que fez a convite da Câmara de Comércio e Indústria Luso-espanhola, dirigiu ao sector uma questão pertinente. " Se isso não interessa à construção civil, algo está mal?", perguntou, insistindo na ideia de que a reabilitação da baixa é uma grande oportunidade para o sector.

Na sua intervenção, Rio aproveitou para fazer um balanço de todo o seu trabalho.

Rui Rio vestiu ontem a pele de economista, chegando ao ponto de aconselhar particulares e investidores sobre onde aplicar o dinheiro e a melhor altura para o fazer. "A alguém que queira viver na baixa, aconselho a comprar agora. É mais barato e hoje o licenciamento é mais rápido", explicou Rio, em declarações à Imprensa. Tudo porque a procura ainda é reduzida. "Daqui a três anos vai ser mais caro", adverte aos possíveis interessados, dirigindo igualmente os conselhos de economista aos investidores que procuram garantias e um investimento de baixo risco. Aqui a sugestão é para que invistam em habitações T0 e T1 para estudantes. "É muito fácil alugar casas desta tipologia para estudantes", garante, recordando que o metro liga a baixa ao pólo universitário da Asprela. Além disso, nota os benefícios de trazer juventude para um centro hoje desertificado.