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Trigais nas mãos do Instituto Geográfico

Trigais nas mãos do Instituto Geográfico

A Câmara do Sabugal não abdica de Trigais e já protestou junto do Instituto Geográfico Português (IGP) contra o facto da pequena localidade integrar a freguesia de Inguias, no concelho de Belmonte, em cartas militares recentes. O diferendo já dura há algumas décadas, mas não tem grande eco no seio dos cerca de 200 habitantes.

"Trigais pertence a Belmonte e não ao Sabugal", insiste Teresa Pacheco, dona do café local, aludindo aos 11 quilómetros que separam o lugar da terra natal de Pedro Álvares Cabral. "Se ficarmos doentes, são mais de 20 quilómetros até ao Sabugal", explica.

Ao balcão, Vítor Gomes desvaloriza o assunto e considera o caso uma "luta de campanários sem importância, pois sempre estivemos mais ligados a Belmonte". Para este operário da construção civil, é muito mais importante resolver a questão da assistência médica, arranjar a estrada e concluir a rede de esgotos. "Ainda não está totalmente pronta por não se saber para que lado desaguar", indica.

A agricultura e o trabalho nas obras ou nas confecções em Belmonte são as principais ocupações dos residentes de Trigais, oficialmente uma anexa da freguesia de Bendada (Sabugal). É ali que estão recenseados e exercem o direito de voto. Contudo, a aldeia está englobada no Plano Director Municipal de Belmonte. "A reclamação surge porque a marcação do IGP no mapa administrativo de Portugal não é conforme com o que a Câmara pensa ser o limite do concelho. Não nos parece correcto que Trigais venha incluída no município de Belmonte", esclarece Manuel Rito. E o autarca sabugalense lembra que é na Bendada que os habitantes de Trigais vão à missa, enquanto o edifício da escola primária é propriedade da autarquia. "A aldeia foi anexada à Bendada e desanexada da freguesia das Inguias pela Reforma Administrativa de 1836", argumenta. Mas como ambos os municípios entendem ter razão, caberá ao IGP decidir. Luís Martins

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