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Máquina para demolhar bacalhau custa 1250 euros

Máquina para demolhar bacalhau custa 1250 euros

segredo pode muito bem estar na forma como se demolha. O bacalhau, segundo Fernando Dias, proprietário da Adega Regional de Tenões, em Braga, quer-se duro e no ponto certo de sal. Descobertos os mistérios do fiel amigo, o profissional da restauração inventou uma máquina para o demolhar. Aparelhómetro agora comercializado por uma dupla de empresários com quem partilhou a ideia.

Fernando Dias anda numa azáfama, dentro do seu avental e touca branca, enquanto frita uma posta grossa e dá uma umas voltas à cebola. Conhecido na cidade pelas qualidades do Bacalhau à Braga que confecciona, acede a desvendar a sua invenção. A necessidade aguçou-lhe um engenho, e depois de olhar para uma máquina de cerveja, lembrou-se que idêntico sistema podia ser usado na lavagem do bacalhau.

"É uma arca de inox com duas serpentinas de frio, que, de três em três horas, renova a água. Leva cerca de 30 litros e outros tantos quilos de bacalhau", conta. Fernando Dias idealizou e partilhou a ideia com dois amigos, donos de uma fábrica de equipamentos hoteleiros (Sovifrige). Nasceu, então, o invento. "O bacalhau não pode ser demolhado em água parada. O sal aquece a água, as postas ficam moles e ganham cheiro". A máquina veio resolver a questão. Depois de criada pelos donos da Sovifrige, Gentil Oliveira e Nascimento, a experiência convenceu. Actualmente prestes a ser melhorada, vendem-na a 1250 euros, sobretudo para o sector da restauração da região e Espanha.

A ideia, oferecida por Fernando Dias, nunca foi patenteada. "Ofereceu a invenção sem contrapartidas?", pergunta-se-lhe. "As amizades funcionam assim", diz. No Parque de Exposições de Braga, onde o restaurante está representado no Festival do Bacalhau, o cozinheiro divaga sobre a iguaria que o levou lá, conjuntamente com outros cinco estabelecimentos com provas dadas na qualidade do Bacalhau à Braga, prato típico da cidade.

A posta, bem grossa, vai a fritar em azeite. Acompanha com batatas fritas às rodelas e cebola alourada também em azeite. Depois faz-se um "jardim", "que é o que destaca os pratos uns dos outros". Fernando Dias apresenta uma guarnição composta por azeitonas e rodelas de laranja.

A primeira edição do Festival do Bacalhau À Braga, que juntou seis restaurantes minhotos no Parque de Exposições, termina amanhã. Tendo como principal protagonista o prato típico da cidade e do Minho, o evento comercializa também vários outros produtos regionais, desde a doçaria, aos presuntos, alheiras, queijos, chouriços e vinhos. Um total de 31 empresas estão ali representadas. Em paralelo, a primeira edição do BragaHoreca mostrou várias maquinarias e têxteis-lar destinados para hotelaria e, simultaneamente, obrigou à reflexão sobre a segurança no sector alimentar. Com várias intervenções, que contaram com a presença de entidades reguladoras, centros de formação e especialistas na área, a organização visou a partilha das melhores técnicas e práticas.

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