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Anderson entre atletas do FCP cuja legalização está sob suspeita

Anderson entre atletas do FCP cuja legalização está sob suspeita

A entrada e permanência do brasileiro Anderson em Portugal como futebolista do F. C. Porto, no início do ano passado, terão sido obtidas graças a um contrato de trabalho fictício apresentado pela sua mãe como cozinheira num restaurante do Porto , numa altura em que o atleta era ainda menor de idade e tinha de ser legalmente representado pela progenitora. Este caso faz de parte de uma extensa investigação por suspeitas de corrupção e imigração ilegal desenvolvida pelo Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF), durante a qual foram detectadas situações de alegadas irregularidades na legalização de jogadores estrangeiros da principal equipa portista e respectivos familiares.

Entre os casos de jogadores do F. C. Porto actualmente investigados estão, além de Anderson, Lisandro Lopez, Lucho González, Bruno Moraes, Ibson, Leandro do Bomfim e Cláudio Pitbull. Em causa está a suposta concessão de facilidades por parte de funcionários do SEF ao F. C. Porto, em troca de camisolas de futebolistas e bilhetes para jogos. Nesta investigação estão ainda envolvidas a mulher de Lisandro Lopez e a mãe de Ibson, que tinham bastantes dificuldades em permanecer legais em Portugal, por não terem trabalho.

Para todos estes casos, os representantes do F. C. Porto teriam uma "via verde" no SEF para apressar e resolver problemas com os processos, mercê de contactos privilegiados com funcionários. Haverá casos em que a concessão das autorizações de residência eram concedidas em tempo recorde - quando a demora normal pode chegar a vários meses - e em que os atletas trabalhavam em Portugal ainda sem estarem legalizados, facto que terá aliás motivado a abertura de processos de contra-ordenação contra o clube. A tudo isto, os agentes fechavam os olhos. Houve, ainda, um caso de jogador de andebol que jogou com visto de turismo.

Nunca vista no restaurante

As suspeitas foram detectadas em durante a investigação do processo Ícaro (2005/2006) (ver peça em baixo), através de escutas aos telemóveis de dois elementos do SEF, que falavam e encontravam-se frequentemente com duas pessoas ligadas ao F. C. Porto, um deles advogado especialista em legalização de estrangeiros. No âmbito do inquérito foram inclusive efectuadas buscas nos departamentos de futebol e andebol do clube, conforme noticiou o JN em Abril.

O caso da legalização de Anderson levantou suspeitas pelo facto de ter sido apresentado pela sua mãe, Doralice Oliveira, um contrato-promessa de trabalho como cozinheira no restaurante "Rogério do Redondo", no Porto. Este documento, apresentado no final de 2005, era necessário para que Anderson, então com 17 anos (menor de idade), permanecesse legalmente em Portugal quando viesse jogar para o F. C. Porto, o que aconteceu em Janeiro do ano passado.

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O contrato da mãe chegou a ser validado pela Inspecção Geral do Trabalho e foi entregue no SEF por um funcionário portista. Nesse momento, o SEF contactou, via telemóvel, o suposto gerente do referido restaurante, que confirmou o interesse em contar com Doralice como funcionária.

Acontece que os inspectores do SEF já descobriram que a mãe do jogador nunca trabalhou naquele restaurante. Esta circunstância foi confirmada pelos próprios funcionários e cozinheiros e pelo verdadeiro dono do "Rogério do Redondo", que se mostrou surpreendido com a existência do contrato, apesar de admitir ter tido, em Agosto de 2005, uma conversa inconclusiva com alguém do F. C. Porto. As suspeitas apontam para que tenha sido um antigo sócio a elaborar o contrato e a responder à inquirição do SEF, via telemóvel, para conferir uma aparência de realidade ao contrato de Doralice.

Nesta investigação, o SEF está ainda a averiguar quem são os envolvidos. Os crimes em causa apontam para auxílio à imigração e permanência ilegal de estrengeiros, falsificação de documento, falsas declarações, corrupção para acto lícito ou ilícito ou ainda abuso de poder.

Anderson menor tinha de estar com a mãe

Nascido a Abril de 1988, Anderson só poderia estar em Portugal acompanhado da mãe, enquanto fosse menor de idade, por exigência legal, da FIFA e da Federação Portuguesa de Futebol. Daí a necessidade de legalização prévia de Doralice, conforme foi noticiado em 2005, aquando da contratação do promissor atleta brasileiro. A mãe iniciou o processo no final de 2005 e o atleta veio para Portugal no início de 2006.

Clube multado por falta de visto do jogador

O F. C. Porto chegou a ser multado, num processo de contra-ordenação, por empregar e fazer entrar Anderson em Portugal quando o atleta ainda não tinha visto de trabalho.

Craque já tem visto para jogar em Manchester

Transferido para o Manchester United, que pagou 30 milhões de euros, Anderson já recebeu licença de trabalho para jogar em Inglaterra. O clube teve de recorrer de uma primeira decisão desfavorável, pelo facto de o atleta não ter actuado em 75% dos jogos do Brasil nos últimos dois anos, argumentando com a mais-valia que traz à Liga.

Apreendidos processos de mais futebolistas

Na busca do FCP, o SEF apreendeu ainda os processos de Sokota, McCarthy, Luís Fabiano e alguns outros familiares. Todos estes casos mais antigos, além dos mencionados em escutas telefónicas, estão a ser passados a pente fino pelos investigadores.

Camisolas de Quaresma e Baía eram preferidas

Além dos bilhetes para o futebol oferecidos, os representantes do F. C. Porto ainda terão oferecido, a pedido dos funcionários do SEF, camisolas das principais vedetas da equipa de futebol. Os equipamentos de Ricardo Quaresma e Vítor Baía seriam os mais requisitados. Se esta circunstância configura ou não crime de corrupção, cabe ao Ministério Público avaliar.

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