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Antárctida, continente para a ciência

Antárctida, continente para a ciência

Ciências da Terra, da atmosfera, biológicas, astronomia e robótica são algumas das áreas em que Portugal tem especialistas num número suficiente e com excelência, capazes de investir organizadamente na exploração do conhecimento da Antárctida. Quem o afirma é Gonçalo Vieira, que já fez várias campanhas naquele continente, depositário de 75% da água doce do planeta.

Portugal está pronto para assinar o Tratado da Antárctida. A Assembleia da República aprovou o propósito, basta o Governo avançar, juntando o país a outros 45 como membro não-consultivo do Sistema internacional que "gere" aquele continente. Os propósitos são só científicos. Nenhum subscritor pode, até 2041, fazer reivindicações territoriais ou de exploração de recursos.

Este era um objectivo por que têm lutado cientistas portugueses que, desde meados da década de 90 ali têm feito campanhas, alguns com apoios nacionais, mas sempre integrados em equipas internacionais. É o caso de Gonçalo Vieira, que colabora com um grupo de Espanha, e só por contactos internacionais veio a saber que partilhava idênticos interesses com outros cientistas portugueses. Diversos pólos de pesquisa em universidades do Porto, Algarve, Lisboa e Évora estudam especificidades da Antárctida ligadas à evolução do clima, espécies, astronomia e novas tecnologias. A trabalhar a partir do Centro de Estudos Geográficos da Faculdade de Letras de Lisboa, Gonçalo Vieira admite que "a logística na Antárctida é muito complicada". Mas espera que na próxima temporada, no nosso Inverno, seja possível enviar até lá mais três jovens investigadores. Até agora, desde há uma década, mais de uma dezena de portugueses em trabalho científico estiveram em campanhas na Antárctida. EF