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Câmara muda contrato da água

Câmara muda contrato da água

A Câmara do Marco de Canaveses aprovou, por maioria, em reunião extraordinária do Executivo, uma proposta de modificação "unilateral" do contrato de concessão com a empresa Águas do Marco. Esta foi a solução encontrada pelo Executivo social-democrata para "obrigar" a concessionária Águas do Marco a mexer no contrato, tido pela autarquia como "leonino" dos interesses dos munícipes, ao ponto destes já se terem manifestado na rua. A proposta será submetida a votação em Assembleia Municipal, que reunirá extraordinariamente no próximo dia 20.

Quase a completar dois anos à frente de gestão do município, o autarca Manuel Moreira garante que não quer adiar mais a resolução do problema. "Na análise que fizemos das cláusulas do contrato, julgo que temos o direito de nós próprios tomar a iniciativa de o modificar", disse, baseando-se no código administrativo.

Fonte municipal explicou, ao JN, que a proposta agora aprovada prevê uma redução dos tarifários, em média, de 30%. A proposta atribuiu ainda à autarquia a responsabilidade de fazer as grandes obras, casos de reservatórios, ETA e ETAR, com recurso a fundos comunitários. A empresa Águas do Marco ficaria com a gestão dos serviços de exploração (cobranças de água e saneamento, contadores, telecontrolo, construção de ramais, etc).

Em declarações ao JN, Manuel Moreira explica que a proposta visa "uma revisão de preços praticados ao consumidor" e o alargamento das taxas de cobertura das redes de água e saneamento. " A rede que está contemplada no contrato não cobre de uma forma satisfatória o concelho - 60% de saneamento e 80% de água -, não vamos exigir os tais 95% de água e 90% de saneamento porque também reconhecemos que a população, por vezes, está muito dispersa, mas queremos atingir os 75% de saneamento e 85% de água. Penso que, assim, já teremos uma cobertura minimamente satisfatória do concelho".

"Claro que a empresa poderá não aceitar, mas, se assim for, em nossa opinião, está a denunciar ao contrato de concessão", acrescentou. António Orlando