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Clima aumenta interesse nos pólos

Clima aumenta interesse nos pólos

As"últimas fronteiras" estão ainda na Terra, não no Espaço. O Árctico e a Antárctida são ambientes que, pelas condições extremas, desafiam o espírito aventureiro de muitos e constituem a arca de muitos segredos do nosso planeta. As mudanças climáticas intensificaram as pesquisas que cientistas de mais de 60 países fazem nas regiões polares, a que Portugal se juntou recentemente. Mas, ter lá uma base está fora de questão, disse ontem em Lisboa o ministro da Ciência e Tecnologia no lançamento do Ano Polar Internacional.

Durará dois anos, porque há dois pólos, e arranca hoje, retomando uma iniciativa não assinalada há já 50 anos. O Ano Polar Internacional envolve uma comunidade científica internacional de mais de 50 mil investigadores em diversas disciplinas, a que Portugal se junta. Mais de 15 cientistas e nove centros de pesquisa nacionais estão envolvidos em trabalhos nas áreas das ciências biológicas, geofísica, oceanografia, meteorologia ou astronomia, a partir de observações na Antárctida. Alguns deles, como Gonçalo Vieira, do Centro de Geografia da Faculdade de Letras de Lisboa, têm ido ao terreno gelado e aos glaciares, integrados em equipas de outros países.

Este é um passo que o ministro da Ciência considera suficiente, por enquanto, dado o gigantismo de esforços que uma plataforma polar própria implicaria. Para Mariano Gago, já é significativo que tenha crescido, em 20 anos, um núcleo de cientistas vocacionado para os estudos das regiões polares. A pesada logística de uma base faz Gonçalo Vieira centrar o seu interesse na colaboração com equipas de outros países. Recursos pesqueiros e observação da camada de ozono constituem alguns dos alvos dos estudos. Eduarda Ferreira