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Há 250 mil crianças-soldados comprometidas em conflitos

Há 250 mil crianças-soldados comprometidas em conflitos

Estima-se que, no ano passado, 250.000 crianças tenham actuado em teatros de guerra, em todo o Mundo. Não se pense que o recurso a crianças-soldados ocorre apenas em países da África, Ásia ou América Latina.

Quinze soldados britânicos menores de 18 anos - entre os quais quatro raparigas - foram destacados para a Guerra do Iraque desde 2003, apesar de o Reino Unido ter ratificado um protocolo das Nações Unidas sobre os Direitos das Crianças e o seu envolvimento em conflitos armados.

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Esta realidade - considerada "chocante" pela deputada liberal democrata, Sarah Teather, que interpelou o Governo de Tony Blair sobre a questão - foi ontem confirmada, por escrito, pelo ministro da Defesa britânico, Adam Ingram. A Imprensa londrina revelou o escândalo precisamente na véspera da abertura, em Paris,da conferência internacional que decorre hoje e amanhã, sob o lema "Libertemos as Crianças da Guerra". É uma iniciativa do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), com o patrocínio do governo francês.

As 250.000 crianças envolvidas em guerras, em 2006, foram recrutadas ou utilizadas por forças ou grupos armados. Para pôr termo a este recurso ilegal e inaceitável, a conferência de Paris propõe-se aprovar um acordo no sentido de se desenvolverem novos programas de libertação, de protecção e de reinserção social dessas crianças-soldados.

Vários estudos permitiram à UNICEF assinalar que a proporção de raparigas nesses grupos de crianças-soldados pode chegar a 40%.

Estão na "lista negra" 11 países que envolvem crianças em situações de conflito armado. Seis desses Estados - Birmânia, Burundi, Costa do Marfim, República Democrática do Congo, Sudão e Somália - foram notificados pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas.

" Uma criança-soldado é toda a pessoa menor de 18 anos, recrutada ou utilizada por um grupo ou força armada, seja qual for a função que aí exerça. Essa criança pode ser (mas não exclusivamente) combatente, cozinheiro, carregador, mensageiro, espião ou utilizada para fins sexuais. Não se trata, portanto, unicamente de uma criança que participa ou que tomou parte directamente em hostilidades". Este é um dos princípios consagrados num dos dois textos a aprovar, em Paris, pelos participantes na conferência da UNICEF.

O Afeganistão, Angola, Burundi, Colômbia, Costa do Marfim, Libéria, Uganda República Democrática do Congo, Serra Leoa, Somália, Sudão e Sri Lanka são países na "lista negra".

A UNICEF disponibiliza bastante informação sobre este tema, na Internet.

www.unicef.org/emerg/index_ childsoldiers.html

Crianças na guerra desde a Idade Média

Na Idade Média, a educação dos cavaleiros, na Europa, começava aos 7 anos, com preparação militar. Aos 12, os jovens tornavam-se escudeiros, transportando os escudos dos respectivos cavaleiros, que acompanhavam nas batalhas. Só ao completar 21 anos, um escudeiro se tornava cavaleiro. Ao longo da história e em muitas culturas, houve sempre crianças envolvidas em campanhas militares, mesmo quando essa prática era contrária aos costumes ou às tradições culturais dos povos. Em épocas mais recentes, também houve crianças-soldados, por exemplo, durante a Guerra da Sucessão (1861-1865), nos Estados Unidos da América, e na Insurreição de Varsóvia, na Polónia, durante a II Guerra Mundial. Essas crianças, tal como os resistentes adultos, foram fuzilados pelo Exército alemão, tendo sobrevivido muito poucos. Também os rapazes que serviram na organização paramilitar Juventude Hitleriana, entre 1938 e 1945, são considerados crianças-soldados, na medida em que foram utilizados em combates para retardar a progressão das forças aliadas, nomeadamente por ocasião da conquista de Berlim.

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