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Argentina: Testemunhas acusam padre católico de pedir dinheiro para resgatar familiares na ditadura

Argentina: Testemunhas acusam padre católico de pedir dinheiro para resgatar familiares na ditadura

Buenos Aires, 13 Ago (Lusa) - Duas testemunhas acusaram hoje um padre católico, que está a ser julgado na Argentina por crimes de morte, tortura e privação de liberdade, de exigir dinheiro às suas famílias para resgatar os irmãos presos durante a repressão militar.

Von Wernich, de 68 anos, que está a ser julgado desde Julho, é acusado de sete homicídios, 31 torturas e 42 privações ilegais de liberdade.

Hoje, em declarações no tribunal, a jornalista Mona Moncalvillo afirmou que a sua família "entregou uma quantia em dólares" ao ex-capelão polícia para que o seu irmão, Domingo, raptado em 1976, e posteriormente morto, pudesse sair do país.

"Supostamente, o dinheiro era para pagar a passagem, documentos e roupa, para que pudesse sair do país. Vi o meu irmão preso, que me disse que os seus documentos estavam prontos mas nunca mais soube dele", contou.

Domingo Moncalvillo foi detido e levado pela Brigada de Investigações da Polícia de Buenos Aires, a maior força de segurança do país durante a ditadura militar (1976-1983), juntamente com outros seis jovens, que também foram assassinados, segundo a acusação no processo contra o sacerdote.

Na audiência, a jornalista Mona Moncalvillo referiu-se ao padre como co-autor das mortes dos sete jovens, aos quais lhes tinha sido prometido exílio mas que foram baleados.

Outra testemunha, Adriana Idiart, garantiu também que Von Wernich "pediu dinheiro" para "tirar do país" a sua irmã, que integrava o grupo de jovens assassinados.

As duas mulheres citaram uma declaração em que um antigo polícia, Julio Emmed, denunciou à Comissão Nacional sobre o Desaparecimento de Pessoas que o padre esteve presente na execução dos jovens e, inclusive, sujou-se com o sangue deles.

Emmed frisou que Von Wernich "felicitou" os polícias que mataram os jovens, sublinhando que o acto tinha sido "feito pela pátria e por Deus".

ER.

Lusa/Fim

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