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De Coimbra a Nova Iorque a aventura dos Tédio Boys

De Coimbra a Nova Iorque a aventura dos Tédio Boys

O s Tédio Boys, banda originária de Coimbra, tem uma história singular no meio musical português. Enquanto em Portugal passavam ao lado do sucesso, iam fazendo digressões pelos Estados Unidos. Seis anos depois de terem dado o último concerto, dois jovens também de Coimbra, Rodrigo Fernandes e Rita Alcaire decidiram fazer um documentário sobre o percurso único desta mítica banda. "Filhos do Tédio", um filme com cerca de 48 minutos, foi estreado no Festival Indie Lisboa anteontem. Amanhã, o documenário, a concurso na secção de curtas-metragens, volta a ser exibido no Cinema S. Jorge 3. E a fita vale não só pelos documentos históricos que mostram a banda a actuar em Portugal mas, sobretudo, pela aventura americina que interpretaram, sem parelo na história do rock "made in Portugal".

Irreverentes e frenéticos, começaram a tocar numa rua de Coimbra, até a Polícia acabar com a música. Anos depois, teriam a honra de subir ao palco principal da Queima das Fitas, mas o espectáculo foi marcado por uma proeza nunca vista os músicos actuaram nus. Mas a grande aventura destes "boys", que foram buscar o título de Tédio "ao tédio que se vivia em Coimbra", como diz o cantor Toni Fortuna no filme, aconteceu nos EUA. Hoje, Toni canta nos "d30"; o baterista Kaló está nos Bunnyranch e os guitarristas Vitinho e Paulo Furtado conhecem o êxito com outros projectos. Vitinho sacudiu a cena rock londrina com The Parkinsons e Paulo Furtado, com os Wray Gunn e o seu projecto a solo Lengendary Tiger Man, é um dos artistas em foco em Portugal. Só falta o baixista André Ribeiro voltar à música.

"Ri-me, deu-me gozo ver o filme. Havia coisas que nunca tinha visto", comentou ao JN Paulo Furtado.Para o músico "o filme apresenta uma perspectiva entre outras possíveis, mas válida".

Em ritmo de "road movie", "Filhos do Tédio" vive com o percurso americano do grupo um dos momentos mais interessantes, com imagens da época cedidas por Ernest Weber, o "road manager" norte-americano". A fita é um documento único para se reviver este "fenómeno" que, na década de 90, atravessou o Atlântico rumo ao "sonho americano".

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