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Fim da linha para o Transpraia

Fim da linha para o Transpraia

Otradicional comboio de praia da Costa de Caparica, criado há quase 50 anos, corre o risco de deixar de circular no próximo ano, caso as quebras nas vendas se mantenham na ordem dos 60 %.

O comboio Transpraia foi transferido este Verão do centro da cidade, onde estava instalado há 47 anos, para uma praia a cerca de um quilómetro a sul do antigo local, o que, de acordo com o gerente da empresa, Pedro Pinto, tem "aniquilado muitos clientes".

As obras da frente de praias urbanas, no âmbito do Programa Polis naquela cidade, ditaram a mudança do terminal dos comboios para a Nova Praia, um quilómetro a sul do antigo sítio, e não se prevê um retorno ao local original.

"Não pretendemos qualquer tipo de indemnização por parte do Programa Polis, o que queremos é apenas regressar ao local onde estávamos depois de as obras terminarem", disse à agência Lusa Pedro Pinto.

Caso o Transpraia se mantenha na Nova Praia no próximo ano, o gerente alega que a empresa terá de fechar, visto que, este ano, os dados apontam para reduções nas vendas na ordem dos 60%.

Mudar o terminal dos comboios para a Nova Praia afastou alguns clientes do local, como crianças, idosos ou frequentadores dos parques de campismo. "Antigamente, as pessoas do parque de campismo utilizavam muito o comboio para se deslocar para o centro da cidade, agora o comboio está a 200 metros do parque e, logicamente, a viagem não se justifica", alega Pedro Pinto.

Além disso, caminhos pouco transitáveis e de areia dificultam o acesso ao terminal por parte de idosos e crianças.

Um dos motoristas dos veículos, António Pereira, disse à agência Lusa que os clientes que ainda frequentam o Transpraia "têm--se queixado muito de não haverem infra-estruturas que permitam a deslocação".

A quebra de clientela também se fez sentir em algum comércio situado junto à última paragem do comboio, que estava situado no centro da cidade, junto ao paredão paralelo às praias. De acordo com Fátima Rebelo, que vende gelados há tantos anos quantos os que o comboio circula, também teve prejuízos nas vendas de 50 %, em relação ao Verão de 2006. "Podiam ter atrasado a saída do comboio daqui para o fim da época balnear, pois era uma vantagem para todos", diz a comerciante.

Para combater a falta de clientes, tanto dos comerciantes como do Transpraia, a Direcção do Costa Polis chegou a acordo com a Transportes Sul do Tejo (TST) para efectuar uma carreira gratuita de ligação entre o antigo terminal e o novo. Uma iniciativa considerada "boa" por parte do neto do criador da empresa Transpraia, Pedro Pinto, mas tardia. "Acabou por vir fora de tempo", uma vez que começou a funcionar no início de Agosto, três meses depois de iniciada a actividade nos comboios. Além disso, a criação desta carreira acarretou ainda mais custos à empresa, visto que teve de ser direccionado para o interior do autocarro um funcionário para cobrar o bilhete.

* Jornalista da agência Lusa

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