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Há 70 anos a cantar "Amores de Estudante"

Há 70 anos a cantar "Amores de Estudante"

Em 1937, Aureliano Fonseca quis criar um tango que retratasse o íntimo dos jovens. Pediu ajuda a Paulo Pombo (que escreveu o poema) e compôs a música "Amores de Estudante". Hoje, 70 anos depois, o tango mantem-se como hino do Orfeão e da Universidade do Porto e, na opinião do médico, contina a ser um espelho da juventude. "As pessoas têm vergonha em dizer aquilo que sentem, mas o romantismo mantém-se", diz. A vontade de compôr um tango surgiu na sequência do êxito da Orquestra de Tangos, criada em 1936. "O tango agradava aos jovens porque era uma música em que os corpos se ligavam", conta Aureliano Fonseca. "'Amores de Estudante' teve um êxito extraordinário na época conseguimos reunir uma quantia significativa de dinheiro com a venda da música e entregámo-la ao reitor da Universidade, para ajudar um estudante pobre", lembra. O médico recorda os tempos de estudante "com muita saudade", pois "era uma altura em que se criavam verdadeiros amigos". Além disso, o idealismo e empenho dos jovens permite fazer "coisas extraordinárias".

É com orgulho que o médico relata como, em 1936, um grupo de alunos conseguiu reunir 150 pessoas numa semana, para ressuscitar o Orfeão e a Tuna da Universidade. "O reitor não acreditou em nós, mas a verdade é conseguimos preparar-nos em dois meses para a primeira actuação" lembra. Até 1970, os antigos membros do Orfeão encontravam-se anualmente. Agora, Aureliano Fonseca vai estar presente no primeiro encontro-festa da Universidade do Porto, sexta-feira, mas lamenta "Não devo encontrar ninguém da minha época".

Sandra Mesquita Ferreira

O JN associa-se, até ao final da semana, ao primeiro encontro-festa de antigos alunos da Universidade do Porto.

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