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LisboaEleicoes Antonio Costa o exnumero dois do Governo que quer governar a capital Perfil

LisboaEleicoes Antonio Costa o exnumero dois do Governo que quer governar a capital Perfil

Lisboa, 18 Jun (Lusa) - António Costa, que trocou o Governo pela corrida eleitoral à maior Câmara do país, foi o "número dois" de José Sócrates que nunca escondeu que seria um desafio estar à frente do município da capital.

Ministro dos Assuntos Parlamentares e da Justiça com António Guterres, a partir de 2002, durante o tempo em que o PS esteve na oposição, António Costa continuou a ser um dos rostos dos socialistas, à frente da bancada socialista no Parlamento durante a liderança de Ferro Rodrigues.

Em 2004, candidatou-se ao Parlamento Europeu, e, no ano seguinte, optou por continuar em Bruxelas, recusando uma candidatura ao município de Lisboa.

António Luís Santos da Costa nasceu em Lisboa, a 17 de Julho de 1961, filho da jornalista Maria Antónia Palla e do escritor e técnico de publicidade Orlando Costa, goês e militante do PCP.

Aos dez anos, com o pseudónimo "Babuch" (menino, em dialecto concani, de Goa), já escrevia críticas de televisão para o Século Ilustrado e conta que decidiu ser socialista aos 12 anos.

Foi também com essa idade que a personagem de policiais Perry Mason o "convenceu" a tornar-se advogado.

Aos 14 anos inscreveu-se na Juventude Socialista (JS), estrutura em que iniciou a sua actividade dirigente, ganhando especial notoriedade no movimento académico e ao dinamizar a Convenção da Esquerda Democrática, em 1985.

Apesar da sua influência nas decisões da JS, nunca ocupou a liderança dos "jotas" e recentemente, em entrevista, também já excluiu ser secretário-geral do PS, afirmando que tem essa "certeza absoluta" - mas reconhecendo uma "incapacidade absoluta em convencer os outros" dessa certeza.

Licenciado em Ciências Jurídico-Políticas pela Faculdade de Direito de Lisboa e com uma pós-graduação em Estudos Europeus pela Universidade Católica, o político com quem Mário Soares disse mais se identificar "enquanto jovem" esteve desde sempre ligado ao sampaísmo, do qual se distanciou apenas nos governos de Guterres.

António Costa estagiou no escritório de advogados do ex-Presidente da República, foi promovido à direcção nacional do PS pelo sampaísta Vítor Constâncio, apoiou Jorge Sampaio para a liderança do partido contra António Guterres, em 1992, e foi o seu director de campanha para as presidenciais de 1996.

Depois de dois anos como deputado, em 1993 não conquistou a Câmara Municipal de Loures à CDU por poucas dezenas de votos, mas ficou famosa a corrida que organizou entre um burro e um Ferrari na Calçada de Carriche à hora de ponta - ganha pelo burro - para demonstrar os graves problemas de acessibilidade ao concelho.

Apesar da derrota, a campanha dar-lhe-ia, pela primeira vez, notoriedade mediática e ficou como vereador até integrar o primeiro Governo de António Guterres como secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares - segundo Almeida Santos, "talvez o melhor de sempre" no cargo.

Convidado por Guterres, consta que terá recusado substituir António Vitorino na pasta da Defesa, alegando não ter os cabelos brancos necessários para merecer o respeito das chefias militares, e acabou promovido a ministro dos Assuntos Parlamentares, herdando ainda o dossier da Expo'98.

Benfiquista, agnóstico, casado e com dois filhos, António Costa é definido como um político seguro de si, irrequieto, persistente e temperamental.

Dá murros na mesa e eleva a voz nas discussões mais acesas e é elogiado pela habilidade política e capacidade de negociação.

Outros chamam-lhe "manobrador e maquiavélico" e chegam a compará-lo ao russo Rasputine, pelo prazer que lhe dão os jogos de bastidores, imagem que se acentua quando confessa a sua admiração pelo ex-presidente do PSD Marcelo Rebelo de Sousa, de quem foi aluno.

António Costa aponta como modelos os antigos governantes Churchill e Gorbatchov, "por terem introduzido grandes e importantes mudanças neste século", bem como o ex-primeiro-ministro francês Michel Rocard, "pela capacidade de renovação das ideias socialistas".

Ministro da Justiça no segundo Governo da "nova maioria" socialista, foi um dos quatro dirigentes que decidiram a sucessão de Guterres após as autárquicas de 2001 e, com Ferro Rodrigues como secretário-geral, esteve como líder parlamentar na oposição ao executivo de Durão Barroso.

Abandonou a liderança do grupo parlamentar para ser o número dois do PS às eleições europeias.

Como ministro da Administração Interna do Governo de José Sócrates tutelou as autarquias e ficou associado à Lei das Finanças Locais, que gerou descontentamento entre os autarcas, o que já lhe valeu ter sido acusado de ser o "inimigo do poder local" pelos opositores na corrida à Câmara de Lisboa.

A defesa da localização do novo aeroporto de Lisboa na Ota tem sido outra "arma de arremesso" dos adversários nas eleições intercalares, que alegam sobretudo as consequências negativas para a economia da capital que terá o encerramento da Portela.

NS/IEL/ACL.

Lusa/Fim.

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