economia_e_trabalho

Margem Sul não serve para aeroporto porque é "deserto"

Margem Sul não serve para aeroporto porque é "deserto"

Oministro das Obras Públicas garantiu, ontem, que o novo aeroporto de Lisboa "jamais" será na margem Sul, um "deserto", uma zona "sem gente, sem tráfego, sem cidades, sem hotéis, sem hospitais, sem actividades económica" e onde a infra-estrutura teria "graves impactos ambientais". Optar pela margem Sul, ironizou, seria "faraónico e megalómano". Refira-se, contudo, que é a Sul que vai nascer o projecto turístico de Tróia.

"Tínhamos, como disse recentemente o professor Manuel Porto, que transportar para lá uma cidade, milhões de pessoas", afirmou Mário Lino, que falava num almoço-debate promovido pela Ordem dos Economistas sobre o novo aeroporto. "Não se faz um aeroporto num deserto", disse, defendendo que a infra-estrutura a sul seria "uma espécie de Brasília a Norte do Alentejo".

Além disso, afirmou, os problemas ambientais seriam "muito graves", já que quer Rio Frio, quer as localizações agora sugeridas como alternativas à Ota (Poceirão e Faia) estão sobre o maior aquífero da Península Ibérica. "Um aeroporto faz-se onde há gente e turismo" e deve "puxar por Lisboa, para que o país seja competitivo" , acrescentou.

Autarcas indignados

Como seria de esperar, a Sul, os autarcas reagiram com indignação. "O senhor ministro deveria ter dito que nós, em especial no litoral alentejano, estamos a construir as maiores e melhores oportunidades para aquele que será o vector mais importante em 2020 o turismo. Não sei a que margem Sul é que o senhor ministro se estava a referir", disse o presidente da Câmara de Grândola, Carlos Beato, independente eleito pelo PS.

"Numa região onde vive quase um milhão de pessoas dizer que isto é um deserto é um absurdo total", afirmou o presidente da Câmara de Sesimbra. "Comparativamente com a Ota há muito mais gente a viver na Península de Setúbal", disse Augusto Pólvora. Para o presidente da autarquia do Seixal "as populações e as instituições da margem Sul foram ofendidas por estas declarações inusitadas". E anunciou que os autarcas vão reunir-se em breve para, em conjunto, decidir o que fazer perante a atitude do ministro. "Lançou para o país aquilo que é o contrário da realidade", frisou Alfredo Monteiro.

* com FM e SB