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Porto: Premio Joao de Almada entregue a arquitectos responsaveis pela recuperacao de palacete da Boavista

Porto: Premio Joao de Almada entregue a arquitectos responsaveis pela recuperacao de palacete da Boavista

Porto, 24 Mai (Lusa) - A Câmara do Porto entregou hoje o Prémio João de Almada 2006 aos arquitectos António Portugal Mendonça e Manuel Amorim Reis, responsáveis pela recuperação do edifício do antigo Colégio dos Maristas, na Avenida da Boavista.

O prémio, no valor de 10 mil euros, visa incentivar e promover a recuperação de edifícios representativos do património arquitectónico da cidade do Porto.

O edifício do antigo Colégio dos Maristas, um palacete do século XIX, foi recuperado para acolher o Private Bank do Banco Espírito Santo (BES).

O palacete foi mandado construir pelo conselheiro Boaventura Rodrigues de Sousa, que ali se instalou com a sua numerosa família.

No edifício foi entretanto instalado o colégio de Nossa Senhora do Rosário, a que se seguiu os Maristas, até 1991.

Dos 10 mil euros do prémio, 3.000 são atribuídos ao proprietário do edifício e 7.000 aos arquitectos.

Os custos da recuperação o palacete não foram divulgados, tendo apenas o representante do BES, Jorge Martins, afirmado que se tratou de um "investimento forte" e que o edifício tem "custos de manutenção elevados".

Os arquitectos vencedores do prémio "recuperaram ao máximo" todos os elementos da casa, nomeadamente clarabóias e tectos ornamentados.

A autarquia atribuiu também uma menção honrosa aos arquitectos Artur Alves, João Oliveira e Miguel Diogo, pela recuperação do edifício número 581 da Rua da Alcântara e números 15 a 19 da Rua da Encarnação.

A segunda menção honrosa foi atribuída ao arquitecto César Machado Moreira, que reabilitou o edifício número 10 da Rua do Outeiro.

As menções honrosas têm um valor de 2.500 euros cada, cabendo 1.750 euros aos arquitectos e 750 euros aos proprietários.

Presidido pelo vereador da Cultura da autarquia, o júri deste prémio integrou também representantes do Instituto Português do Património Arquitectónico, Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto, Ordem dos Arquitectos - Secção Regional Norte, Associação Regional de Protecção do Património Cultural e Natural, Direcção Municipal de Urbanismo, Divisão Municipal de Conservação do Centro Histórico e Direcção Municipal de Cultura.

Da história do Prémio João de Almada, atribuído bienalmente, contam-se edifícios como o Teatro Municipal Rivoli (2000), Edifício da Ordem dos Arquitectos (1994), Teatro Nacional S. João (1998) e, entre outros, o edifício da Companhia de Seguros "O Trabalho".

João de Almada, que morreu a 30 de Outubro de 1786, foi governador da Justiça e Relação do Porto.

A sua ligação à cidade surge na sequência de um motim popular contra a Companhia Geral da Agricultura dos Vinhos do Alto Douro.

João de Almada e Melo foi indigitado para controlar os acontecimentos por ser um homem da confiança do Marquês do Pombal.

Dada a gravidade da situação, João de Almada é depois nomeado para Governador de Armas do Porto.

O presidente da Câmara do Porto, Rui Rio, sustentou que este prémio "faz particular sentido" no Porto, por ser prioridade da autarquia apostar na reabilitação do património da cidade.

"Este objectivo entronca num outro, que tem a ver com a mudança de lógica de gestão da cidade: privilegiamos a qualidade em detrimento da quantidade", disse.

JAP.

Lusa/fim

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