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Quatro portugueses na lista de passageiros do Titanic

Quatro portugueses na lista de passageiros do Titanic

Os nomes de quatro portugueses constam da lista original de passageiros do Titanic que, ontem, foi disponibilizada para consultas "on line" pela primeira vez, 95 anos depois do transatlântico ter naufragado na sua primeira viagem.

Durante uma semana, a imagem de dezenas de páginas manuscritas estão disponíveis na Internet gratuitamente, no endereço www. findmypast.com. Após esse período, a consulta passa a ser cobrada.

José Netto Jardim, casado, de 21 anos, Manoel Gonçalves, casado, de 38 anos, e Domingos Fernandes Coelho, solteiro, de 20 anos, viajavam em terceira classe na maior embarcação de sempre da companhia White Star Line. Aos madeirenses - que haviam chegado a Southampton num dos vapores da Mala Real Britânica, a Royal Mail Steam Packet Company - junta-se, também, José Joaquim Brito, um comerciante radicado em Londres que seguia em segunda classe para Nova Iorque em viagem de negócios.

Do que se sabe hoje, Manoel Gonçalves era agricultor e partiu para os Estados Unidos da América à procura de uma vida melhor. A mulher e os cinco filhos, que se mantiveram na sua casa de colmo no Arco da Calheta, seguiriam mais tarde. Acompanhavam-no na aventura da emigração dois amigos, um dos quais, José Jardim, também da Calheta, deixou mulher e uma filha ainda bebé.

Os portugueses do Titanic integram a listagem de 1523 vítimas mortais entre as 2223 pessoas (passageiros e tripulação) que seguiam a bordo do maior, mais moderno e mais luxuoso transatlântico construído até então. O navio deixou o porto de Southampton, com destino a Nova Iorque, no dia 10 de Abril de 1912. Antes da meia-noite do dia 14, a denominada "fortaleza inexpugnável" colidiu com um iceberg de grandes dimensões e o navio de 269 metros de comprimento (o equivalente a quatro campos de futebol) afundou-se em apenas duas horas e meia. Os momentos que se seguiram após a colisão foram dramáticos, entre o medo e a incredulidade do que estava a acontecer cinco compartimentos a encheram-se de água faziam com que a proa começasse a afundar-se e o barco perdeu o seu ponto de equilíbrio. Aos pedidos de SOS transmitidos via rádio - o que aconteceu pela primeira vez - apenas respondeu o Carpathia, que estava a quatro horas de distância. Os passageiros das primeira e segunda classes foram acordados e levados para o convés, onde não havia botes para todos, e os da terceira classe mantidos trancados num grande salão junto à popa (parte de trás do navio). A sua libertação só ocorreu quando apenas restavam dois botes, pouco antes do navio se partir em dois e mergulhar a pique. Das mais de 1500 pessoas caídas à água, apenas seis foram resgatadas com vida pelo Carpathia. É o maior acidente marítimo de sempre e inspirou vários filmes e livros, graças aos vários relatos dos sobreviventes e aos múltiplos pormenores (alguns ainda sem explicação) associados à embarcação que era tida como "insubmergível".

Até agora, a pesquisa pelos nomes dos passageiros do Titanic era extremamente complexa, uma vez que as listas eram mantida em 34 caixas separadas no Arquivo Nacional britânico em Kew, a sudoeste de Londres.

A digitalização das listas originais fazem parte de um projecto mais amplo do portal Findmaypast.com, que disponibiliza na Internet 1,5 milhões de listas de passageiros, elaboradas desde 1890, um precioso auxiliar em matéria de genealogia. Das listas do Titanic, por exemplo, além dos nomes e nacionalidades dos passageiros, constam dados como a idade e a profissão, além da sua proveniência.

Paulo F. Silva

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