porto

Petrogal efectua duas descargas poluentes para o mar por ano

Petrogal efectua duas descargas poluentes para o mar por ano

A refinaria da Petrogal, em Leça da Palmeira, Matosinhos, faz, pelo menos, duas descargas anuais poluentes para o mar, confirmou, o JN, junto de várias fontes. "Nos últimos cinco anos, em média, são registadas duas participações. Mas podem ocorrer outras sem conhecimento oficial", acrescentou a mesma fonte. Entretanto, o JN soube que, além do foco poluidor ocorrido na passada terça-feira, na praia da Aldeia Nova, registou-se outra descarga na ribeira da Guarda, no passado dia 3. As autoridades marítimas registaram ambos os casos.

Apesar das cíclicas promessas feitas pela Petrogal de que "todos os problemas ambientais estão resolvidos", o certo é que, ano após ano, quer seja no Inverno ou no Verão, acontecem derrames, descargas de hidrocarbonetos ou seus derivados. Este ano, pelo menos oficialmente, já foram registados três casos.

Por isso, e face aos diversos atentados ao ambiente, anteontem, ao JN, o presidente da Câmara de Matosinhos, Guilherme Pinto, anunciou ter exigido à Petrogal a realização de uma inspecção a todas as condutas das instalações petrolíferas. O pedido do autarca assenta no facto, já confirmado, da existência de algumas condutas fora de controle.

"Na penúltima descarga [ocorrida no dia 3], a Petrogal julgava que a ribeira da Guarda tinha sido desactivada e, afinal, estava operacional. O líquido que corria lá era gasoso e tinha um cheiro bastante activo", contou, ao JN, Paulo Isabel, comandante-adjunto do Porto de Leixões.

Após o levantamento do auto de notícia e o caso ter sido participado pela brigada da GNR, através do Serviço de Proteccção da Natureza e do Ambiente (Sepna), a Capitania do Porto de Leixões irá apurar responsabilidades e, caso se justifique, será analisado pelo Conselho Consultivo da Autoridade Marítima Nacional. "As coimas podem ir de 50 mil euros até 2, 5 milhões de euros", contou.

Quantos mais acidentes?

PUB

"Quantos mais acidentes vão ocorrer?", perguntou, ontem, o biólogo Paulo Talhadas dos Santos, a propósito de mais uma descarga poluidora - desta vez de derivados de hidrocarbonetos - tendo atingido a praia da Aldeia Nova, em frente às instalações da Petrogal. "Estamos perante um problema cíclico e estrutural. O que eles [Petrogal] têm feito são remendos. Este tipo de descargas têm um efeito muito negativo na reprodução dos organismos marinhos", avisou o professor da Faculdade de Ciências do Porto.

Ao JN, o especialista considerou este tipo de descargas contínuas e localizadas "muito mais perniciosas" para o ambiente do que as grandes catástrofes. E explica as razões "As crónicas descargas de hidrocarbonetos podem não atrair as atenções, mas chegam a atingir valores, por vezes, muito superiores às outras de grande toxidade", precisou.

Queixa no Ministério Publico

Perante o sucedido, a CCDR do Norte foi informada da situação e remeteu a questão para o Ministério Público. "A ocorrência foi imediatamente identificada e contida a origem", disse, ao JN, uma porta-voz. "A Inspecção-Geral do Ambiente irá analisar a situação e agir em conformidade", referiu, ao JN, uma fonte oficial do Ministério do Ambiente.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG