O Jogo ao Vivo

porto

Trocaram a rua por diploma em cozinha

Trocaram a rua por diploma em cozinha

"Foi a minha primeira grande vitória". Depois de 14 anos presa ao mundo da toxicodependência, Isabel Branco decidiu dar um novo rumo à sua vida e vê agora concretizado um dos seus sonhos tirar um curso de ajudante de cozinha. Ontem, ela e mais dez formandos, todos eles pessoas em risco de exclusão, receberam o diploma do curso, que lhes dá equivalência ao sexto ano de escolaridade, promovido pela insituição de solidariedade social SAOM (Serviço de Assistência Organizações de Maria), no âmbito do projecto "Dar Sentido à Vida".

"Era o empurrão que eu precisava e assim dei o primeiro gosto à minha mãe, que está muito orgulhosa", confessou, ao JN, Isabel que , tal como metade dos seus colegas, já tem trabalho garantido na empresa onde realizaram o estágio. "É uma sensação extraordinária", descreve a mulher.

Financiado pelo PROGRIDE, um programa nacional vocacionado para o combate à pobreza e exclusão social, o curso teve início em Setembro do ano passado e decorreu ao longo de oito meses, durante os quais os alunos tiveram uma parte de formação teórico-prática e outra prática em contexto de trabalho, ministradas por profissionais ligados à hotelaria.

A selecção dos formandos ficou a cargo de uma equipa constituída por uma assistente social, uma psicóloga e uma jurista que avaliaram a aptidão dos candidatos.

"O objectivo é, tal como o nome indica, dar um sentido à vida das pessoas que perderam o norte vida", explica Maria José Peneda, directora técnica do SAOM. Apesar de estarem plenamente integrados no mercado de trabalho, os novos profissionais vão continuar a ser acompanhados pelo SAOM a nível psicológico e social, até porque o projecto vai continuar por mais quatro anos. "Fizemos todos os esforçospara continuar a ajudar estas pessoas", sublinha a responsável.

Durante a sessão, foram também entregues os contratos de formação aos novos alunos que vão iniciar a segunda edição do curso. É o caso de Claudino Monteiro que, com 60 anos, 12 dos quais a viver na rua, encara esta "oportunidade única" para continuar "com a vontade de viver. "Estou convicto de que vou tirar o diploma", atira, sem medo o homem que "deixou para trás portas onde não quer mais voltar a entrar". João Queiroz